Poesia

Meus caros amigos poetas do Substantivo Plural. Lendo esses poemas (aí vai o link: aqui ) do poeta Raymond Carver, surgiu-me um dúvida. Isso é poesia mesmo? Acho que não.

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Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 20 de outubro de 2011 6:08

    pra dizer que concordo com Jóis Alberto, quando diz: Carlão é “um dos melhores poetas locais” (desculpe senhora Eliane Dantas, sou um provinciano doente, em fase terminal ) e “um dos caras que mais conhece do assunto ” (poesia) “neste site”.

  2. Jóis Alberto 19 de outubro de 2011 17:18

    Em texto de minha autoria, “Caminhos da poesia potiguar contemporânea”, publicado na revista “Brouhaha” (Janeiro/março de 2006), em certo trecho eu comentava que, no balanço da produção poética contemporânea, tanto em nível local como internacional, podemos delinear pelos menos duas grandes vertentes: uma poesia mais ‘hermética’, e outra mais acessível ao leitor. Altamente metafórica, a poesia hermética tem nomes como os franceses Stéphane Mallarmé e o seu discípulo Paul Valéry, que atribui ao intelecto a tarefa de elaborar uma poesia purificada de todo sentimentalismo; o americano Ezra Pound, o italiano Eugênio Montale, os brasileiros Sousândrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, os irmãos Campos, considerados poetas para poetas, tal o grau de mestria, dificuldade e invenção da produção, desses autores, para a recepção do leitor comum. Já a poesia mais acessível, que não implica obrigatoriamente seja fácil de ser compreendida, é geralmente aquela que não rompe radicalmente com a poesia feita anteriomente. Para não parecer taxativo de minha parte, dogmático, em seguida eu levantava a questão: será que os poetas concordam com esse tipo de divisão da produção poética? Antes de respondê-la – não só com minhas análises, citações e referências, mas em especial, entrevistando, naquela ocasião, poetas e escritores locais, como por exemplo Carmem Vasconcelos, João Batista de Morais Neto, Napoleão Paiva, Pablo Capistrano, Venâncio Pinheiro e Jânia de Souza, representativos de várias tendências da poética local contemporanea – antes de responder a questão citada e abordar o gancho do texto jornalístico, os caminhos da poesia potiguar contemporânea – eu citava Octávio Paz. No clássico “O arco e a lira” (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982), o ensaísta e poeta mexicano enumera, dentre outras conceituações, que poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. E mais: revela este mundo, cria outro. Pão dos eleitos, alimento maldito. Isola, une. Arte de falar em forma superior, linguagem primitiva. Obediência às regras, criação de outras… Em seguida, eu comentava: se a exemplo do que ocorre com a questão o que é arte, “o enigma que a arte em si mesmo é”, conforme a interpretação fenomenológica e analítica existencial do filósofo alemão Martin Heidegger, não se pode definir poesia, pode-se todavia refletir sobre o fazer poético. E é com essa intenção, refletir sobre o fazer poético, que comento este ‘post’ e outros relacionados ao tema, aqui no SubstantivoPlural. De início eu poderia ironizar afirmando, ao parafrasear famoso verso de Caetano Veloso, que Narciso acha prosa o que não é espelho! Mas não pretendo ser taxativo nessa assertiva, para não correr o risco de ser mal interpretado por Carlos de Souza, que considero um dos melhores poetas locais e, sem dúvidas, um dos caras que mais conhece do assunto aqui neste site. Eu leio poesias e ensaios literários, desde a adolescência, em 1978, quando eu tinha 18 anos, e já àquela época publicava tanto poemas que se aproximavam das experiências concretistas – me orgulho de ter escrito um palíndromo, “Entrechocar-se”, premiado em concurso do Sesc de Natal, em 78 – como também na pressa, típica daqueles tempos da geração mimeógrafos, publiquei alguns poemas que estavam muito mais para prosa do para poesia. Poucos anos depois, parei de escrever poemas e passei a me dedicar exclusivamente ao jornalismo. Em 2003, quando o Sebo Vermelho publicou o meu livro “poetas azuis paixões vermelhas amores amarelos” (poesia e prosa), reunindo alguns poemas da juvenília (!) e outros que escrevi, eventualmente, nos anos 90 e início da década de 2000, alguns propositadamente ingênuos e prosaicos; outros nada ingênuos e com versos com uma poética mais expressionista, na ocasião eu escrevi um ensaio, a pretexto de posfácio, sobre várias dessas questões. Então, para concluir e retomar o motivo do post, é óbvio que para muitos poetas a melhor poesia é aquela com a qual ele tem mais afinidade e interesse: para o trovador a melhor poesia é a trova e aquelas que vencem campeonatos de jograis; para muitos poetas locais, a melhor poesia é a dele ou dela, dos amigos/as e aquela que foi premiada em concursos literários – em especial aqueles concursos acima de qualquer suspeita (!); para o neo-parnasiano, a melhor poesia é aquela bem rimada e metrificada; para os seguidores locais de Paul Valéry a melhor poesia é aquela muito metaforizada e intelectualizada…

  3. Carlos de Souza 19 de outubro de 2011 15:24

    ok, marcos, vamos nos tratar informalmente. obrigado pelas informações adicionais.

  4. Marcos Silva 19 de outubro de 2011 14:05

    Melhor nos tratarmos como Carlão e Marcão, jornalista fulano e professor beltrano parece linguagem de programa chato de tv.
    Gosto dessa fala sobre dizer o indizível. Os limites entre prosa e poesia me parecem fluidos. Rimbaud escreveu aqueles poemas em prosa. Faulkner e Guimarães Rosa escreveram aquela prosa poética.
    Tendemos a tratar a prosa como menor, o adjetivo prosaico diz respeito a algo banal. Depende da prosa, não é? Euclides da Cunha era prosador. Ler o pedaço de Os Sertões sobre cadaveres ressecados na caatinga me faz pénsar em Homero.
    Carver é um conhecido prosador, Até serviu de base para filmes importantes, como Short Cuts, de Robert Altmann. Aqueles poemas reproduzidos me tocam emocionalmente e não apenas no plano subjetivo, eles são escritos de maneira sóbria, adequada aos temas tratados.
    É claro que ninguém é obrigado a gostar dos referidos textos. Considero excessivo, todavia, excluí-los do campo da poesia.
    Aproveito para declarar que gosto muito de William Carlos Williams. E também que gosto de estar conversando com vc sobre assuntos legais.

  5. Jarbas Martins 19 de outubro de 2011 13:23

    não conhecia nada de Raymond Caver. não chega à altura, pelo que posso deduzir destes seus poemas, de William Carlos Williams, de forma tão oportuna citado por Carlão. mas não resta dúvida que, nos poemas objetivos e descarnados de RC, se faça sentir um pouco das sábias lições dos “imagistas” norte-americanos. de Pound e Williams inclusive.

  6. Carlos de Souza 19 de outubro de 2011 12:48

    caro professor marcos, muito boa sua observação e análise dos textos. mas eu achei que eles podiam muito bem ser apenas prosa, pois busco na poesia sempre o indizível, o inapreensível, o inusitado, o impensável e por aí vai… acho que é onde reside a beleza e o mistério da poesia de rimbaud, só para citar um exemplo. poemas sobre o trivial só me encantam se forem escritos como os de william carlos williams, por exemplo, pois fogem da lógica da realidade crua… sei não. sou péssimo para analisar textos. acho que joão da mata explicou melhor aí o que eu queria dizer.

  7. João da Mata 19 de outubro de 2011 11:33

    Poesia é o que não pode ser escrito
    Todos são filósofos, mas nem todos são poetas.
    Os poetas fazem parte dos artesões do oitavo-dia
    Assim como uma lamina enterrado no corpo do morto, como diz Jão Cabral.
    Assim como uma lamina cortando e dizendo o que nunca foi dito.
    É dizer o indizível. È aquela urtiga que teima em não deixar de queimar e perguntamos: ISSO É LOUCURA !!!!!!

  8. Marcos Silva 19 de outubro de 2011 11:12

    Carlos:

    Em “Dirigindo e bebendo”, aparece bem um instante de vazio e medo de fim, convívio com o fim próximo – ou não, mas sempre possível. O irmão que cutuca é um pequeno liame com a breve e frágil vida.
    “Medo” reitera a onipresença desse sentimento, reiteração da reiteração.
    “Felicidade” é um instantâneo de beleza, mesclado a sutil nostalgia dessa pureza que não mais nos pertence (nós, maduros) mas, persistente, se faz ver naqueles ou noutros garotos – poderia ser também garotas.
    “O que o médico disse” traz a inevitável finitude, encarada com um mínimo de serenidade.
    Penso que é Poesia: palavras que perturbam (ou embevecem, ou desnorteiam, ou excitam – provocam sentimentos diferentes por serem organizadas daquelas maneiras mais ou menos surpreendentes).
    Penso que é oportunidade para se pensar o que é a tal da Poesia, o que é a tal da vida que está passando.

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