Poesia brasileira contemporânea social club

Por Luis Dolhnikoff

Nos anos 1960, a poesia ainda era levada a sério no Brasil. Por isso, Mário Faustino podia escrever resenhas dizendo a um poeta qualquer que ele não dava para a coisa; que havia outras atividades nobres e atraentes além da poesia; e que, em suma, o tal sujeito simplesmente deveria desistir de ser poeta. Faustino morreu em 1962. A poesia ainda seria levada a sério nos anos 1970. Mas a partir dos anos 1980, começou um processo de mudança drástico.

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Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. chico m guedes 18 de julho de 2011 22:46

    Nina, nina, que magnífico contraponto pros meus espinhos.=)
    beijos agradecidos

  2. Nina Rizzi 18 de julho de 2011 21:34

    Que maravilha, sr. editor…

    Chico Guedes, olha só que coisa, hoje encontrei um exemplar de “O amor é um cão dos diabos”, de Charles Bukowski. Quando o abri, a página que me saltou foi 100: “dama melancólica”; de imediato pensei em compartilhar contigo por aí, mas dado a sua presença aqui (!), deixo-vos:

    dama melancólica

    ela fica ali sentada
    bebendo vinho
    enquanto seu marido
    está no trabalho.
    ela considera
    de suma importância
    que seus poemas
    sejam publicados
    nas pequenas
    revistas.
    possui dois
    ou três de pequenos
    volumes de sua poesia
    mimeografados.
    tem dois ou
    três filhos
    com idades que vão
    de 6 a 15 anos.
    já não é mais
    a linda mulher que
    costumava ser. manda
    fotos em que aparece
    sentada sobre uma pedra
    junto ao oceano
    sozinha e condenada.
    podia ter estado com ela
    uma vez. me pergunto
    se ela acha que eu
    poderia
    salvá-la?

    em todos os seus poemas
    seu marido jamais
    é mencionado.
    mas costuma
    falar sobre seu
    jardim
    assim sabemos que está
    lá, de alguma maneira,
    e que talvez ela
    trepe com os botões de rosa
    e os tendilhões
    antes de escrever
    seus poemas.

    In: BUKOWSKI, Charles. O amor é um cão dos diabos”. Tradução Pedro Gonzaga. Porto Alegre: L&PM Editores, 2010.

    Teja fincada a bandeira. Demais, não?!
    Um beijo.

  3. chico m guedes 18 de julho de 2011 18:32

    será que esse texto foi lido pelos/as entusiastas da babação mútua da coluna direita? talvez seja esperar demais.

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