Poesia e caráter

Nesse tempo escasso de caráter, nem notamos a diferença aqui no Rio Grande do Norte, no seu universo cultural. Os males da capitania, no mando político, são pigmeus ante a grandiosidade ruinosa do nosso estuário cultural. É tão frágil a edificação da cultura nessa terra de Cascudo, que passa ao largo a crise do abandono. Aqui é mais saudável, à depressão das amarguras, o abandono do que a feitura. Desde que haja um lugarzinho ao amparo da luz escassa, bruxuleante, não se cobra a iluminação da fogueira ante a lamparina oferecida. E todos se satisfazem. Pra que luz, se há um recanto de meia-treva? E os negócios da “cultura” ofertam a meia-sola. Não dá pra ver poeta onde não há poesia. E como disse Luiz Cardoza y Aragón “a poesia é a única prova concreta da existência do homem”.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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