Poesia Erótica

Por Tânia Costa

Por estes dias ganhei um livro de um amigo, uma bela antologia do que existe de mais representativo da poesia erótica ocidental.

A antologia, tradução de José Paulo Paes é um clássico  da literatura erótica.  Autores como Catulo, Ovídio, Rousseau, Aretino, Verlaine, Rimbaud, Apollinaire, D. H. Laurence e La Fontaine e ainda poemas que fazem parte da Antologia Grega, a Priapéia, os Carmina Burana e textos do folclore da Calábria.

Alguns destes autores eu não conhecia e para surpresa, autores bastante conhecidos mais contemporâneos como Walt  Whitman, Goethe, Baudelaire e Neruda, cujas poesias eróticas devem ter ficado na clandestinidade relegada à censura por seu cunho erótico.

Dos antigos autores que conheço a surpresa coube a Ovídio famoso pelas suas “metamorfoses” (narrativas da mitologia greco-romana) e La Fontaine conhecido pelas suas fábulas de cunho moral.
José Paulo Paes faz um pequeno comentário ao final do livro sobre cada autor. O que torna mais interessante a leitura. Priapéia é o nome dado ao conjunto de poemas sobre Priapo, este era o deus grego da fertilidade (representado com o falo ereto).

DA PRIAPÈIA
Ameaça de Priapo a uma jovem

Conquanto Priapo de madeira eu seja,
madeira a foice, como vês,  o pênis,
vou te  agarrar e segurar bem firme
e todo em ti, por longo que ele seja,

mais tenso do que a corda de uma cítara,
até suas costelas vou cravá-lo.

DA ANTOLOGIA GREGA
RUFINO
A jovem de pés de prata lavava os pomos dourados
dos seios banhando-lhes a carne leitosa;
a carnadura das nádegas redondas palpitava,
mais ondulosa e mais fluida do que a água
. […]

livro V, epigrama 35

Estendida sobre o leito, Dóris, a de róseas nádegas,
me fez imortal na sua carne em flor […]

livro V, epigrama 55

ADIVINHAS MEDIEVAIS FRANCESAS
[…]Fazer o que ninguém ignora:
Pôr peludo contra veludo…]


ARETINO
Para provar tão célebre caralho, […]
Quisera transformar-me toda em cona,
Mas queria que fosses só caralho [..]


WITMAN
Uma mulher espera por mim, nela tudo se contém, não falta nada, […]

Tudo se contém no sexo, corpos, almas,

Significados, provas, purezas, delicadezas […]

As esperanças todas, bens, outorgas, todas as paixões, belezas, amores, os deleites da terra,

[…]

Tudo se contém no sexo […]

Sem pejo o homem de quem gosto sabe e confessa as delícias do sexo,

Sem pejo a mulher de quem gosto sabe e confessa as do sexo dela.

Pois eu me afasto das mulheres insensíveis,

Para ficar com a que espera por mim, e com as mulheres de sangue quente que me satisfazem, […]

Essas mulheres não são em nada inferiores a mim.

Têm o rosto tisnado pelo brilho dos sóis e pelo sopro dos ventos, […]

Sou eu mulheres, abro o meu caminho,

Sou severo, cáustico, indissuadível, mas amo vocês,

Não as machuco mais que o necessário a vocês mesmas,

[…]

Me firmo eficazmente,  não dou ouvidos a rogos,

Não ouso retirar-me sem depositar o que há de muito acumulei dentro de  mim.

Através de vocês eu dreno os rios enclausurados de mim mesmo

[…]

VERLAINE

Homenagem devida

Fim do festim , de sobremesa a cona, a lira

Em cujas pregas, cordas, a língua delira!

E essa nádegas ainda, lua de dois

Quartos, alegre e misteriosa, em que depois

Irei alojar os meus sonhos de poeta,

Meu terno coração e meus sonhos de esteta!

E amante, ou melhor, amo em silêncio obedecido,

Reina ela sobre mim, o seu servo rendido.

O livro suscitou outras pesquisas, assim encontrei no site (www.germinaliteratura.com.br/erot_agopa.htm), mais alguns poemas de Pietro Aretino que fazem parte dos seus “Sonetos luxuriosos”, tradução de José Carlos Paes, aliás, disponível no mercado editorial para venda. Pietro Aretino vivia em grande estilo, protegido e respeitado pelos nobres e clérigos que temiam os seus escritos mordazes, ficou conhecido como o “flagelo dos príncipes”.

[…Cú de leite e carmim!

Se o contemplar-vos não me desse fé,

Eu não tinha o caralho assim de pé.

X

[…] Pois diz-me onde melhor se te afigura

_ Em cona ou cú, que rara á a ventura.

Na cona te porei se a elegeste.

Mas se no cú o queres, então neste

Há de entrar.

Mexe agora com brandura.

Uma bela mulher  nunca se apura

Se recebê-lo como o recebeste.

Aperta- o, meu bem, faz da seringa

Do meu belo caralho igual poema.

Aperta, coração, de novo aperta. […]

Encontrei ainda no Google o livro “As cem melhores histórias eróticas da literatura universal”, editora Ediouro, cujo organizador é Flavio Moreira da Costa, disponível para baixar. Lá consta uma amostra  dos sonetos luxuriosos do Aretino, e está presente dentre outras estórias um fragmento do “diálogo das prostitutas” deste mesmo autor. Texto altamente erótico. Aliás, os fragmentos das histórias alí presentes e que tive oportunidade de ler naquele momento, são altamente eróticas, belas e excitantes. Como diz Whitman: Tudo se contém no sexo…

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