Poesia Mayor

Adquiri, neste mês de janeiro, na livraria “El Ateneo” (Buenos Aires), um livrinho precioso, com o título acima, lançado pela editora Leviatán. Trata-se de uma seleção de textos sobre o haiku, ou haikai, ou hai-kai, ou haicai, feita por Reynaldo Jimenez. Nela, o organizador reúne nomes do quilate de Roland Barthes, Matsuo Basho, Octavio Paz, Jorge Luis Borges e vários outros nesse “modesto” patamar literário.

Para mim, que continuo amando essa modalidade “mínima” da poesia, foi um achado e tanto, tendo em vista que não havia encontrado no Brasil algo de tão boa qualidade acerca do tema. Percebo, ainda, que há muito preconceito no Brasil, principalmente de alguns “eruditos” poetas, no que concerne à espécie literária aqui tratada.

Deixo, para reflexão e deleite, um trecho do texto de Roland Barthes constante no livro:

“El haiku tiene la propiedade, algo fantasmagórica, de hacernos imaginar que nosotros mismos podemos hacerlo fácilmente: ¿qué hay más parecido a la escritura espontánea que esta de Buson?:

Es la tarde, el otoño./Yo pienso solamente/en mis padres.

Sin embargo, el haiku motiva la envidia. Cuántos lectores occidentales han soñado pasearse por la vida, carnet en mano, anotando aquí y allá las “impressiones” en que la brevedad garantizaría la perfección y la simplicidad garantizaría la profundidad (todo ello en virtud de un mito doble, uno clássico que hace de la concisión una prueba del arte y el otro romántico, que atribuye la calidade de verdad a la improvisación). Siendo plenamente inteligible, el haiku no quiere decir nada. Es por esta doble condición que se ofrece al sentido de una manera particularmente disponible, servicial, ante la invitacion de un hospedero educado que le permite a uno instalarse lánguidamente en su hospedería, con manías, sus valores, símbolos; la “ausencia” del haiku (cosa que también se dice de un espíritu irreal o de un propietario que ha partido de viaje) llama a la subordinación, a la fractura, en una palabra a la invitación mayor, la del sentido.”

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 7 de abril de 2011 9:18

    Peço licença, senhor editor, apenas para trazer, “en passant”, uma saudação ao senhor Reynaldo Jiménez, argentino, autor da seleção de textos que mencionei no meu post acima, datado de 22 de janeiro de 2011, e que, por algum bom e estranho “acidente da natureza internáutica”, veio parar por estas bandas de cá.

    Um abraço para ele. Vi, inclusive, que indica endereço de seu blog (portanto, não se trata de nenhum fake), que acessarei com prazer.

    Muito grato, senhor editor, e me desculpe por mais essa – talvez -descabida, mas muito célere, intromissão.

    • Tácito Costa 7 de abril de 2011 9:22

      Lívio, você é bem vindo aqui, já te disse isso, apareça quando quiser. abç.

  2. Reynaldo Jiménez 6 de abril de 2011 18:34

    Muchas gracias por la reseña y sobre todo por tu apreciación allí incluida. Ha sido una gratísima sorpresa, ya que el libro salió en Buenos Aires hace años (más de 12, seguro) en su primera edición y quizá hasta ahora no había salido ningún comentario sobre su existencia. Aunque sé que han salido varias ediciones, lo cual confirma el ojo de los lectores. Un abrazo cordial.

  3. Lívio Oliveira 22 de janeiro de 2011 20:02

    Sou um cão ensolarado e assumido como tal, compadre Jarbas.
    Em “O olho Mudo” o poético também se manifesta de forma essencialíssima.

    Abração.

  4. Jarbas Martins 22 de janeiro de 2011 12:58

    Gostei muito desta postagem, Dom Lívio Oliveira.Mas pegando carona no texto de Barthes que você, bom cão farejador, escolheu, eu diria que não é somente o haicai que suscita a inveja.Mas qualquer manifestação onde o poético, de forma essencialíssima, se manifeste.Podendo até ser um título de livro de poesia:”Pena Mínima”, de Lívio Oliveira, “Salinas”, de Zila Mamede ou “Psia”, de Arnaldo Antunes.Abs., meu cão ensolarado natalense.

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