POETA DA SEMANA: Adélia Danielli

Adélia Danielli é da safra produtiva de poetas curraisnovenses, e de verve feminista aflorada. Aos 36 anos tem dois livros publicados. O primeiro é coletivo, publicado pela Editora UNA, em 2012, intitulado “Por Cada Uma”. E seu primeiro solo “Bruta”, foi lançado esse ano pela editora Tribo. Seguem poemas de Adélia, sendo o último inédito e exclusivo ao Substantivo.

Por Adélia Danielli

venha me tomar
de corpo e alma
tomar meu ar
meu café
a poesia que paira
sobre esse lugar
que se instaura
em cada coisa da sala
nesse momento
em minhas mãos
em minha mente
em mu coração
venha me tomar
absorer a canção do silêncio
da fumaça saindo da bca
da calmaria real
desacelarada
e presnete no momento
presente
sem lucidez ou utopia
sem metafísica
sem reparar nas horas
sem saber qual é esse dia
apenas venha
me tome
me absorva

dancei boleros
com teu corpo ausente
minha mente às vezes
me presenteia
com pequenos
prazeres
ela tem dó
de meu coração
carente

como
Diadorim
deitada
com sua nudez
reveladora
seus dedos
entre meus
cabelos
da nuca
expõem meus
segredos
que minha
roupa
não mais
oculta

há uma linha tênue
entre todas as músicas
que mais amo
e seu sorriso
conversas sobre tempo
e espaço não me resgatam
do lugar em que me encontro
apenas eu dançando pra você
e o nada
meu processo criativo
está fascinado pelo jeito
que você fala
tem uma charla no discurso
bem argumentado
e os olhinhos
que hora se apertam
hora estão arregalados
me perco nas ruas
que ando todos os dias
pego os mesmo ônibus
errados
uso pares de sapatos trocados
porque
eu não estou mais em mim

na madrugada
a palavra não descansa
surge na mente
me obriga a levantar
ela quem manda
sou apenas
um meio
para esse todo
que entre versos
dança
palavra tem vida noturna
agitada

eu sou o suto de Piaf
pela morte de Marcel
a angústia de Elena
eo palco para sempre
vazio

sou o desejo do esquecimento
de uma mente sem
lembranças

a Garota Interrompida
em Paris, Texas
o amor em coma
que não despertou

As horas de uma loba
e dua mulheres
a necessidade da escrita
o Nome Próprio
o ventilador do Palhaço
e a esperança nas
Medianeras

uma iluminação
orgânica
me contempla
por contágio
não sei sobre
o seu ponto de partida
não sei se vem de cima
ou de baixo
sinto como luz
as palavras que mudam
meu estágio meu modo
minha interferência
no momento tempo e espaço
viro também palavra
desfeita na estética do ritmo
formada na dança do significado
crio sob essa luz
uma impressão da alma
sem máscaras
apenas algo que se doa
entre as linhas e finda
como tudo finda
em um susto aliviado.

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FOTOS: PEDRO ANDRADE

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Lívio Oliveira 1 de Junho de 2016 20:14

    Adoro a poesia de Adélia.

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