POETA DA SEMANA: Charles M. Phelan

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Charles M. Phelan é advogado , professor de Direito e de inglês. Contista e poeta.

 

AMEI SOZINHO

“Nenhuma promessa madrigal, de cantos sem encantos desfez os contornos de minhas crenças amorosas ….

no amor não há medida, e se o há, que seja igual…e se unilateral insiste, tão pouco resiste…. visto que um único amor é pouco para dois amantes…

assim, num tom bemol, triste, tocou em mim a decadente melodia que dizia – que eu amei sozinho…

refleti …

vi que amor e desamor se repelem naturalmente, como dia e noite não se encontram, senão pelo amanhecer entre eles….

fui rendido pela partitura matinal que ressoou, ano após ano, no meu inconsciente … baixinho soprando cantos que diziam –

que eu amei sozinho…
…mas, amei…”

 

ETERNIDADE

“… Porquanto breve… tão verdadeiramente breve essa vida… furtei-me de tudo aproveitar…. e reconheço que mais na estupidez da juventude se vive, que na sapiencia da maturidade (ou seria o inverso?)… pensar e só pensar torna-se uma pena capital e um solipsismo aleijante… Um enjaulamento psicológico da existência pela experiencia … mas breve passa , para todos, as regalias do existir…. Como uma flecha no vácuo do tempo… cortando, sem resistência, no espaço, rumo ao nada….e sabendo que nome…legado ou estória, podem sobreviver mil vezes ao seu autor… porquanto breve é a vida, repito…. ainda é possível se eternizar no tempo… e viver sabiamente o tudo que lhe for ofertado.”

 

O AMOR DE DOIS

SE EU pudesse ter de ti apenas o olhar da admiração … TUDO valeria a pena … Tanta pena, que não…

SE EU pudesse pedir sua atenção, pediria… mas não valeria a pena…
Tanta pena de mim, em vão. …

DIZEM por aí que se deve ter amor próprio… Claro e Natural!… Mas que pena que os feitos deste amor pouco nutrem a o próprio amado em sua carência…

POIS ninguém há de amar apenas a si…

PORQUE amor que completa, deve vir do outro que se ama, que se deseja… Porque a troca de amores é a razão de toda existência …

AMANTES são como figuras concêntricas … compartilham pontos comuns… o amor de um; pelo amor do outro — sem resistência….

 

NÃO POR ACASO

NÃO por acaso, houve o confisco do coração, para qual prisão nao desejo a liberdade…

NÃO por acaso, as tentações aprisionam….

NÃO por acaso, as vontades da paixão redesenham destinos…

NÃO!,,, por acaso não há coincidências . . .

Só vontades e desejos….

 

ESTAÇÕES

É no início tudo era… e podia

No deslize de dedos inquietos sobre o sublime arrepio de tua primavera frondosa, posso ouvir o vapor no eucalipto de tua voz livre e sancionadora. .. sutil aos meus ouvidos…permissiva ao meu toque …desejosa ao meu desejo…

Há brevidade lisonjeira …

E desejo por muitas estações outras tantas carícias … mais maduras a cada outono … mais intensas a cada inverno… mais quentes no verão… e natural como os ciclos, sonego a indizível distância de ti e o hiato que o tempo sobre todos os amantes impõem…

Há respeito aos anos …

E como mudam as estações do castigante sol, às brisas nórdicas, ao puro branco e volta ao renascer… mudam as famintas carícias. .. mudam os olhares e os signos do desejo… mudam os toques … mudam pra melhor…

E Finalmente entendi… As estações do amor.

 

E TUDO SERÁ

“Eu estava pensando como as coisas acontecem e como os caminhos se cruzam…..
E como a vontade natural de proteger e cuidar surge….
E como uma intuição profunda diz que tudo isso está certo…
E tudo isso, por vezes, em tão pouco tempo….
E como é gostoso sentir a emoção….
E expressar-me pelas palavras…..
E como a pele e o cheiro e o sorriso e os olhos…
ahhh os olhos de quem se gosta são tão bem vindos….

E t u d o é….

E que dure uma eternidade ….
E que o gostar de um ….
Ahhh, que o gostar de um, seja sempre correspondido pelo gostar do outro…..

E t u d o s e r á…”

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