Poeta Tânia Lima lança livro “Berimbau de Lata” nesta sexta, 26

Tânia Lima, Poetisa vinda das ilhas do Maranhão, lança seu quinto livro, BERIMBAU DE LATA. O livro pleno de ritmos sincopados é dedicado a Naná Vasconcelos.

Em sua insularidade experimental, a autor recebeu no ano 2003 o prêmio “Redescoberta da Literatura Brasileira” (promovido pela Revista Cult de Literatura).

Vale conferir o lançamento pela Editora Sebo Vermelho que acontecerá sexta-feira, 26 de agosto, no Nalva Café Salão, às 19 horas.

O escritor Carlos Emílio Corrêa Lima fez uma resenha-viagem pelos tambores do livro Berimbau. Leiam abaixo:

Esse livro de poemas de Tânia Lima parece um samba de breque entrecruzado pelos cantores Oswald de Andrade, Manoel de Barros, Ascenso Ferreira, Raul Bopp, Guimarães Rosa, Drummond, Chico Science com um soim no ombro da sambista equilibrista sussurrando mantras engraçados para ela escrever na língua-mundo da areia praia perto do mangue.

Uns poemas de bicos de pássaros escritos na areia arejada e morna dos quintais populares.

Lendários cantados das almas de pássaros do musicalíssimo povo brasileiro nordestino do infinito.

Tudo é a flâmula adoçoada da fala popular, da cantilena de brisa carinhosa, do vocal do alvorecer.

Força de mel, azeite, melodia, vibração de rios teimosos, virações de mornos aconchegos, dinamam nas frases molengas, cheirosas.

No meio desse livro de Tânia Lima, desse cancioneiro imaginário, tem um remanso, um lago inflado de prosa sussur-rosa, com seus cons e densações da memória oral dos perfumes.

Tem, mesmo nos poemas em prosa-parágrafos, tabuados do meio-riacho do livro, ponte de prosa poética sobre as águas afloradas da poesia em versos fluentes, todos os cheiros untados nela, aroma dos entôos, das toadas, dos tons.

Virações-canções dobram com força amorosa os cotovelos soados das frases.

Poesia dos envios vindos dos riachos, mensageira da brisa-fonte, mulher arcaica de terra cantada.

Poemas riscados pelo bico de graveto e ouro do pássaro-flor.

… e, no crescimento do livro, com seus braços de mangue, suas raízes de fala, suas lamas grávidas de tudo, um deles se torna, ardil da argila, porcelana suspensa e aparece intacto no ar sempre belo. Elo.

Todos esses poemas-poema são isso tudo, um só todo de tudo, entoalado ritmadamente rio ardente no ar desdobrado pelos ritmos raízes do mangue do mundo.

São totens, estandartes, linguaragens recicladas das hidrografias das almas, mesotopalmas.

Reciclantagem de uma poesia agarrada com as mãos na lama boa e fértil da melhor tradi-chão brasileira sem eira sem beira-besteira.

Uma geleia mangue real e geral. Nas arquibancadas dos versos

os pássaros
do povo
gar
galham

E tem uma hora que ressoa como a barriga de vidro do espaço e os poemas levitam e não vão nunca mais embora da hora;

Berimbau de Lata é lito, é xilo e cantogravura!

É tudo recortado com a tesoura dos acordes e, entre cada verso nas frinchas, tem clarões.

Só quem modelou em criança com as mãos barro molhado de quintal pode encantender essas canções escritas com força de brisantiga.

Carlos Emílio Barreto Corrêa Lima
Torneados, percutidos, sincopados poemas, retumbantes durantes de poesia, instrumitos musicais, verbais esculturas sonoras, totens de percussão e escalada para a voz, ritmações com timbre de aurora e de aura oral.

São manchetes de anunciação exclamadas conclamadas condensadas de um folheto de cordel solaraumentado, recém-lançado que transparentoou-se no espaço e tomou musicalmente o lugar do mundo.

Poemas para serem xilogravados no meio do mato, poemas retirados da terra com larguezas para um reino de ritmos sem fim.

Noitambores de espaço. São altos esticados entrelaçados hai kais aumentados pelo somsonho dos tambores-flores da noite.

Toda uma fabulação musical entoada com a eficácia das acácias, do mais canoro e invisível elementôo.
Natureza com tambores tatuados triângulos misturou-se fez-se mistério com água, lampejo verbo palave.

Poesia, ebó do canto.

Esconhecer é mais que dizer, é dizser em degraus de sapateados no ladrilho da fala encerada cantada.

E aqui e acolá, e aquoondes e ecolonges, a poesia afia chispas em que reboa numa refloração verbal de afiladas flores instantâneas, poemas mangueados com o coração da aldeia alada.

Poemas em zigue-zague, zigue-saques azuis fora da reta. São poemas gaiatos, estralados, de papel pulado pintado em altos estandartes de aventura, num azul além do barro e de tudo que é retido. Azul-lama profundo do céu. Retábulos dançados e cantados.

Carlos Emílio Corrêa Lima, escritor cearense, autor de A Cachoeira das Eras dentre outros livros.

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