Polanski decepciona em novo filme


CRISTINA FIBE
da Folha de S.Paulo, enviada especial a Berlim

Era a estreia mais comentada em Berlim. “The Ghost Writer”, de Roman Polanski, levou curiosa vantagem em relação a seus concorrentes ao Urso de Ouro –nenhum está cercado de tanto burburinho, com direito a empurra–empurra entre jornalistas, ontem.

Isso porque o diretor, alvo de processo nos EUA desde 1978 por fazer sexo com uma garota de 13 anos, foi preso em setembro na Suíça, que se recusa a extraditá-lo até que a Justiça de Los Angeles tome decisão definitiva sobre o caso. Ausente, Polanski foi tratado, no 60º Festival Internacional de Cinema de Berlim, como um herói que recebia DVDs na cadeia para finalizar sua obra.

O resultado é um thriller engenhoso, mas aquém das expectativas e modestamente aplaudido. Suas chances de sair da Berlinale com um troféu residem no possível desejo do júri –presidido pelo alemão Werner Herzog– de protestar contra a prisão do cineasta de 76 anos, Urso de Ouro em 1966 com “Armadilha do Destino”.

Outro fator que pode contribuir é o seu viés político –o alvo do filme é o ex-premiê britânico Tony Blair (1997-2007), envolvido em uma conspiração fictícia que é mero pano de fundo para que os autores critiquem o apoio inglês aos EUA e à Guerra do Iraque.

“Dizem que o veredito da história demora anos”, afirmou o corroteirista Robert Harris, ontem. “Mas o veredito da história, em geral, vem na hora. E temos um veredito sobre a guerra e sua legalidade.” Pierce Brosnan foi o escolhido para interpretar o premiê, aqui chamado Adam Lang, que precisa de um novo “ghost-writer”, após a morte suspeita do antigo encarregado.

Ewan McGregor surge como o escritor que pouco se interessa por política, mas que será agraciado com US$ 250 mil pela missão. Só que ele precisa se mudar para a casa do biografado, agora nos EUA, para manter em sigilo as informações.

Além de se envolver com a misteriosa mulher do chefe (Olivia Williams), ele quer saber o que Lang não lhe conta e descobre um conluio que transforma o filme num suspense que não chega a amedrontar.

Concorrente cult

A boa surpresa de ontem foi outro filme, “Howl”, primeira ficção de Rob Epstein e Jeffrey Friedman, que abriu o Festival de Sundance neste ano.

Eles usam passagens da vida de Allen Ginsberg, criado com charme por James Franco (“Milk”), para fazer uma longa interpretação de seu poema mais célebre, “Howl”.

Os diretores misturam animação, entrevistas e transcrições de um processo contra o editor, pela “obscenidade” da obra, para criar um filme de potencial cult entre poetas, gays e simpatizantes.

A repórter CRISTINA FIBE está hospedada a convite do festival

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