Populismo na América Latina

CULT – Seu livro A Revolução de 30 é tido como referência nos estudos daquele período, bem como sobre a prática populista de Vargas. Na sua opinião, quais traços do populismo ainda permanecem no atual contexto político da América Latina?

Boris – Com algumas modificações, o Chavez é um populista adaptado aos novos tempos. É um populista a pleno vapor. No plano econômico, inflação não é problema para ele, o que é uma característica do populismo. Perón dizia: “Não quero saber de inflação. Isso é coisa de economista. Eu sou político”. Aí vem a pergunta: “O Lula é um populista?”. É e não é. Ele usa alguns dos recursos do populismo num outro contexto. Populismo econômico ele não fez, a não ser no gasto público e no emprego da turma. Houve o cuidado do Banco Central com a inflação e a busca persistente pela estabilidade econômica. Os populistas não fazem isso. Essa política foi herdada do Fernando Henrique, algo que o Lula inteligentemente percebeu. Ou seja, como ele poderia ter continuidade no poder jogando em duas frentes. Assim ele conseguiu o encanto dos banqueiros e do pessoal do Bolsa Família.

Da entrevista do historiador Boris Fausto à revista Cult.
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