Pós-versos por uma escrita Pós-gênero

Eu deveria começar descrevendo a mobília, as paredes brancas, a malha dulcíssima que acoberta os dias; ou no máximo adivinhar o céu, os pássaros eventuais e eventualmente um fio que esganasse num choque um filão do cosmos. Há um poema antes do poema, mas o segundo poema está cansado de ser subordinado ao primeiro. Por isso esta literatura vê diásporas: debandadas recorrentes de moléculas desconectadas; descaminhos amontoando-se como barracos na Favela Mor Gouveia. Supere-se o suporte! o que conta é o nervo, o peitopulso! um poema é um corpo. Ou não é.

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