Post aberto para Rodrigo Bico

Foi-se o tempo das cartas abertas. Foi-se o tempo da esquerda e da direita. Foi-se o tempo do pensamento livre. Foi-se o tempo de muita coisa. Mas meu tempo permanece anarquista. E minha paciência ficou no tempo. Tenho involuído para uma velhice ranzinza. E detesto ir contra minha natureza. Sigo instintos de um animal ainda racional. Sou mais ponderado assim. Gosto de confundir e não de esclarecer. Mas dito tudo isso, escrevo para deixar beeem clarinho algumas questões para algumas mentes maniqueístas, cegas ou preconceituosas:

1) Fiz um lobby discreto para nomeação de Rodrigo Bico à diretoria geral da Zé Gugu. Não me arrependo. Se eu pudesse repetiria essa frase em braile para os cegos entenderem: NÃO ME AR-RE-PEN-DO. Tenho minhas ressalvas quanto à sua gestão. Provavelmente teria se fosse outro, também. Critico e elogio desde sua nomeação (chato demais repetir isso. Mas tem os cegos e tal e talvez eu só escreva em braile as críticas).

2) Acho lamentável, preconceituoso e até hipócrita o posicionamento de Rodrigo Bico relacionado ao Teatro Alberto Maranhão. Critiquei isso antes de prestar assessoria para Toinho Silveira. Lamentável pelo desgaste onde ambas as instituições perdem. Preconceituosa por desmerecer a figura já tarimbada de Toinho Silveira pelo simples motivo de não ser “uma pessoa do teatro”. E hipócrita por classificar a nomeação de Toinho como indicação política, como se ele também não fosse. Aliás, é até mais porque tem pretensões políticas, o que é justo.

3) Apesar de poucas ressalvas quanto à sua gestão, o que é natural, e à ridícula tentativa de desmoralizar Toinho Silveira no Teatro Alberto Maranhão, nada contra o militante, o gestor e muito menos a pessoa de Rodrigo Bico. Me parecia e continua me parecendo uma boa figura. Mas não sou amigo, não sou cego, não sou hipócrita e acredito nada ter a perder em continuar as críticas que acho pertinentes – e os elogios também.

4) Bom esclarecer também: presto muito mais um apoio do que uma assessoria propriamente dita a Toinho. Mais porque acredito no projeto e nas ideias dele. Menos pelo dinheiro curto. É uma ajuda recíproca, digamos. Nada substancioso de nenhuma parte. Quase um acordo entre amigos que acreditam um no trabalho do outro.

5) Já disse isso e repito: em vez de a Fundação criticar uma assessoria própria do TAM, deveria incentivar outras coordenadorias de sua patente a terem uma também. Ajudaria na promoção da cultura do Estado e, por tabela, da Fundação. E ainda diminuiria o trabalho mal remunerado da assessoria do órgão, que logicamente não dá conta de tudo e de todos. E friso: coloco o nome da Fundação nos releases do TAM quanto é pertinente. Nem todas as assessorias colocam o nome – recomendado – do Governo do Estado, porque às vezes é inoportuno. Mas já coloquei várias vezes, inclusive nos dois últimos releases, pelo menos! Estou para somar. Mas também aprendi na escola a dividir, a subtrair e a multiplicar.

6) Escritos esses cinco esclarecimentos desnecessários em tom ridículo, torço para a direção da Zé Gugu estanque a vontade totalitária de controle e dominação de tudo, deixe Toinho fazer o seu trabalho com liberdade para que ambos saiam bem na fita. A direção do TAM só procura tornar o Teatro independente não só desta gestão, mas de todas que virão. Um teatro sustentado com recursos próprios e ajuda da iniciativa privada. Só isso. É o que todo Governo gostaria: se livrar de mais uma despesa e oferecer ao público espetáculos de qualidade. No TAM não há rivalidade com ninguém. A pauta e os assentos estão abertos a todas as tribos. E o site vem aí para noticiar nosso teatro potiguar, como um todo: espetáculos da Casa da Ribeira, do Teatro Lauro Monte, Adjuto Dias, etc.

Enfim, a foto que ilustra este post não foi à toa. Vamos trabalhar juntos e sem espertezas. Ninguém é besta. Deixemos de frescura e vamos tocar essa cultura pra frente!

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. Wesli Dantas 7 de maio de 2015 0:29

    Como alguém que não é da área do teatro e não tem conhecimento do ofício pode administrar um teatro? Um padeiro poderia exercer o ofício de um médico? Um jogador de futebol exercer o ofício de um engenheiro se não tem conhecimento do assunto? Acredito que tanto o padeiro quanto o jogador de futebol poderiam conseguir tais intentos caso se empenhassem o suficiente mas isso demandaria um longo espaço de tempo.
    Os artistas sentem dificuldade em administrar um teatro mesmo conhecendo os problemas inerentes à profissão. Uma pessoa que não é da área e não tem conhecimento desta como poderia conseguir realizar essa tarefa?

    • Sergio Vilar 7 de maio de 2015 7:39

      Imagine um torneiro mecânico na presidência do Brasil, ne não?

  2. Anchieta Rolim 6 de maio de 2015 23:50

    Quem manda é o governador. Poucos que assumem certos cargos, tem poder de decisão. Quem achar o contrário, compre uma meia e pendure na janela dia 24 de dezembro.

  3. henrique 6 de maio de 2015 17:37

    Caro Sergio,
    Foi-se o tempo em que acreditei em boas intenções e amizades recíprocas e sinceras quando há o dinheiro (mesmo curto) no meio delas.
    Começo esse post no mesmo tom e forma que voce começa o seu texto, talvez para dizer que, diferente do diálogo e o “trabalhar juntos e sem espertezas” que voce termina propondo, no mesmo texto, a mensagem que voce acaba comunicando é a de que exista nesta relação um gestor-vítima e um gestor-algoz. Não acredito que haja nenhum dos dois. Acredito que da mesma forma que voce, que traz uma defesa de um lado que, pelo que voce afirma, não quer dialogar, do outro encontro um diretor do Teatro Alberto Maranhão que nos convidou para uma reunião para ouvir propostas , depois de falar de suas ideias.Nós, artistas de Teatro, agradecemos a abertura, enviamos uma carta com uma primeira ideia, a qual o senhor Toinho Silveira nem se deu o trabalho de responder. Talvez por não entender que os artistas de Teatro do RN hoje se organizam de outra forma e que acreditam que o equipamento público, como o TAM, deve ser aberto de forma democrática, para todos os públicos. Por isso, nossa primeira ideia que foi a de que o Teatro fizesse uma convocatória ampla para que todos os artistas pudessem mandar propostas para as apresentações no aniversário do Teatro, não obteve resposta. Entendemos então que Toinho Silveira, o gestor, não queria diálogo e sim monólogo. Outra demanda falada na então reunião foi que a pauta do TAM seria gerenciada em conjunto com os artistas, que seria formada uma curadoria, que o diretor do TAM se engajaria na reforma do Teatro, que tem parte do teto condenado e uma instalação elétrica que qualquer pessoa que visitar as instalações, nunca mais volta pra assistir peças, com medo de um grande incêndio. Essas questões que, entendemos, são realmente urgentes, e que sao preocupações que atingem diretamente qualquer pessoa que for ao Teatro Alberto Maranhão, eu não vi ainda o sr Toinho Silveira se posicionar sobre.Talvez porque produzir é-ventos da trabalho e lhe ocupe todo o tempo. Entao, proponho e solicito um engajamento seu, Sergio, no papel deste amigo, interessado na melhora do equipamento cultural Teatro Alberto Maranhão, para que aquilo que é realmente urgente e necessário seja concretizado.

  4. thiago gonzaga 6 de maio de 2015 17:24

    Que pena !
    A cultura do Estado perde com essas coisas.
    Acho que, o ideal seria que todos se unissem em prol da nossa cultura “tao sofrida’.

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