Potiguar recebe prêmio por seu trabalho no Atol das Rocas

Por Mary Land Brito

A potiguar Zélia Brito, chefe da reserva Biológica do Atol das Rocas, foi selecionada pela Revista Trip para receber o prêmio Transformadores 2011. Zélia foi escolhida por seu trabalho de 15 anos de preservação e fiscalização deste Atol que é o único do Oceano Atlântico Sul e que detém os títulos de área de proteção ambiental, de reserva biológica marinha e de patrimônio natural da humanidade, reconhecido pela Unesco.

Para a edição deste ano, foram escolhidas 14 pessoas de todo o Brasil, como o pesquisador Miguel Nicolelis e o casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo que já fazia parte da lista de finalistas do prêmio quando foram assassinados em março deste ano. O Prêmio Trip Transformadores foi criado em 2007 para homenagear pessoas que pensam no coletivo e que fazem a diferença por acreditarem e agirem em prol de uma mudança para melhor em diferentes áreas. Zélia Brito viaja hoje à noite para São Paulo para participar da cerimônia de premiação que acontece quarta-feira (26), no Auditório do Ibirapuera.

O Atol das Rocas

O Atol das Rocas está localizado há 144 milhas náuticas (270 quilômetros) de Natal, de onde sai o barco todos os meses para a troca da equipe que fica na ilha. A viagem dura cerca de 25 horas. Este é um local fundamental para o equilíbrio da vida marinha, por sua alta produtividade biológica e por ser zona de abrigo, alimentação e reprodução de diversas espécies de animais, como as tartarugas verdes e as de pente. O Atol das Rocas também representa a maior colônia de aves tropicais do país, são cerca de 150 mil de 29 espécies distintas que utilizam a ilha como pouso pra descanso e alimentação, reprodução ou moradia permanente. Antes que fosse implantado o sistema de revezamento de equipes de fiscalização, em 1991, era comum a presença de pescadores que causaram diversos danos ambientais no local. Hoje o atol só recebe visitas para fins de pesquisa e fiscalização. As condições de permanência são inóspitas. Água potável, por exemplo, só mesmo para beber e cozinhar.

Zélia Brito

Filha e neta de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Maurizélia de Brito Silva, a Zélia, 45 anos, demorou a encontrar sua vocação. Mas bastou uma visita ao paraíso para que a hoje chefe da Reserva Marinha do Atol das Rocas soubesse que era lá seu lugar. Já se vão 15 anos.

De lá para cá, dedica sua vida à preservação desse refúgio, o único do tipo no Atlântico Sul. Tanto esforço pode ser notado a cada turno que cumpre no atol, com a identificação de novas espécies ou por episódios como a época de desova das lagostas, em que as centenas de animais nas lagoas deixam evidente a saúde ambiental do atol. Na pequena ilha, Zélia desdobra-se, com voluntários, para fazer cumprir a proibição de pesca, disciplina que tem sido recompensada: às vezes passam-se meses sem que seja preciso furar as altas ondas a bordo do pequeno bote a motor disponível para afugentar algum barco pesqueiro.

Aos 40 dias de ilha sucedem outros 40 em Natal. Hora de costurar, em terra, os relacionamentos que garantem a continuidade dessa preservação. Conhecida de longa data de boa parte dos pescadores, Zélia procura ter sempre gente de confiança em todas as rodas. Ela sabe que, se uma crise apertar, um pescador pode ficar tentado a jogar suas redes no atol. Pelos amigos, pode saber com antecedência do perigo e alertar a guarda costeira.

Mais sobre o prêmio: aqui

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