Preá 24

Por Sérgio Vilar
NO DIÁRIO DO TEMPO

A Preá 24 está irretocável. O editor Mário Ivo diluiu qualquer margem para crítica. Se uma revista temática afunila a abrangência de conteúdo, a vastidão geográfica e poética do tema Mar e Sertão acolheu linguagens, fotografias e gêneros literários em um bisaco só.

Afora o charme temático repetido nesta edição, a qualidade textual em todas as páginas também impressiona. De minha parca experiência na editoração de revista, sei do problema em receber escritos aquém do esperado e da dificuldade em rejeitar o trabalho voluntário. Sorte ou feeling, Mário soube escolher seus colaboradores. O jornalista Sívio Santiado também trouxe o que, na minha opinião, faltou ao último número: o mapeamento cultural de municípios. Touros foi bem arquitetada em oito páginas. Linguagem mais “prosada” e menos jornalística: mais interessante. Mesmo o espaço publicitário do governo ficou bacana.

Arrisco dizer: foi das melhores publicações literárias que já li. Leve-se em consideração o bom tempo dispensado à edição e, por outro lado, as condições nem sempre ideais de trabalho. Só lamento a pouca repercussão da revista. Penso ser falha a distribuição. Nenhum colega jornalista recebeu. Vi reclamação de Alex de Souza no twitter, quase aos tapas para conseguir um número (rs). Pelo menos aos ditos formadores de opinião deveria se chegar uma edição. Mas nem mesmo aos arquivos dos jornais! Então, coleguinhas, sugiro uma ida à Fundação Zé Gugu e pegar a sua. O papo entre Dorian Gray e Paulo Balá, texto inédito do saudoso Bartolomeu Correia de Melo, imagem de Fé Cordula, Flávio Freitas, Marcelo Buainain, Ponta Negra, Seridó, Praia dos Artistas, sertões… Verdadeiros deleites de imagens e textos em cada página. Sertão e mar unidos no regional e no universal das correntezas literárias.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Yuno Silva 27 de Outubro de 2011 7:03

    Realmente a edição está muito boa, irretocável como bem disse Sérgio Vilar.

    Mesmo assim pergunto: afinal, a FJA tem ou não tem recursos? Pelo tipo de material utilizado parece que está nadando em dinheiro.

    Enquanto isso editais e prêmios de 2009 continuam sem pagamento, vira e mexe e os funcionário entram em greve, a política cultural não passa de um calendário de eventos, o Fundo de Incentivo é só uma promessa e a Secretaria continua Extraordinária.

    Mas a revista é boa, muito boa; e a impressão e material caro, bem caro.

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