Preá saída da toca

Por Sérgio Vilar

Tácito, li o texto do professor José Correia Torres Neto a respeito do famigerado bichano, título da então mais prestigiada publicação cultural do Estado.

Creio ter perdido o status muito mais pela demora e esquecimento, ou se mantenha por falta de concorrentes.

Concordo com algumas coisas, principalmente com o lamentável muro de lamentações de Crispiniano no início da publicação.

Lembrei do espaço em que François Silvestre comentava a revista, os projetos culturais do Governo e ainda abusava da boa poesia em uma pequena tira de espaço, ao lado do expediente.

Crispiniano usou duas páginas para lamentar o lamentável. Olhem só: “Críticas muito pesadas e dúvidas muito cheio de certezas, como sempre são as dos nossos críticos. Aguentamos o prego no olho e fomos trabalhar. Aliás, convencionou-se que liberdade de expressão virou privilégio de quem quer destruir reputações. Como qualquer resposta escrita ou falada é vista como truculência, vamos continuar respondendo com trabalho, enquanto for possível”.

O problema deve estar nessa possibilidade do possível. Marcelus Bob explica pra vocês.

Concordo ainda com o conteúdo escrito, de muito pouco ineditismo, digamos. O texto excelente de Serejo já havia sido publicado na Palumbo. E outros mais que nada trouxeram de novo, sequer releituras do que já foi dito.

Também senti falta de melhor cuidado em títulos e legendas. Na entrevista com Pedro Grilo sequer há título!

Mas também muita matéria boa, interessante. Vou ser elegante igual ao professor e escapar das especificidades e nomes (rs).

Por outro lado, permita-me discordar do projeto gráfico. Achei muitíssimo interessante, moderno, bonito e de qualidade. O material fotográfico está exuberante.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Bethânia Lima 6 de julho de 2010 10:37

    não terminei ainda de ler a Preá, mas faço um comentário com relação ao cuidado na finalização/revisão de qualquer material (livro, revista, jornal), acho que faz parte do processo de leitura e torna ainda mais coerente o trabalho realizado. Encontrei o nome de D. Militana digitado como Militada, e na matéria “Um jeito negro de ser”, percebi na página 65, uma legenda que não é referente à matéria/foto que está apresentada (a matéria aborda a comunidade quilombola de Macaíba e a legenda fala de rendeiras/ceará-mirinenses), enfim… prazo para finalização acaba comprometendo um trabalho.

  2. Sérgio Vilar 5 de julho de 2010 16:15

    O texto saiu pela metade porque fui limpar o teclado e apertei enter (rs). Continuando: também achei muito boa a diversidade de temáticas: cultura popular, poesia, crônica, música (erudita e hip hop), cinema, figuras folclóricas, arte circense, teatro, gastronomia…

    E outra questão: considero essa revista a primeira edição de Mary Land. Leve em consideração a distância de um ano e meio da edição anterior. É um recomeço, uma reestreia. Devemos dar um desconto. Pena que mude de novo de editor na próxima. Mas dou meu voto de confiança no trabalho de Barbosa. Não é fácil.

    Até!

  3. Tácito Costa 5 de julho de 2010 16:14

    Antes que alguém cobre vou logo avisando. Como ex-editor, não sinto-me confortável para comentar sobre a Preá. Por isso, o meu silêncio. Pode parecer que comparo as duas fases da revista. Se elogio dirão que quero agradar e se critico verão despeito nisso. Gostaria somente que a revista voltasse a circular com regularidade. Não faz sentido esses hiatos imensos entre uma edição e outra.

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