Presépio Popular

A vida da gente pode ser contada em natais. Sem memória não existe história. Tudo apaga. Tudo desbota. Esquece. A cidade de Natal eu gostava mais quando havia muitos presépios. Era conhecida como cidade-presépio. Lembro ainda das minhas idas ao centro da cidade-alta para visitá-los. Quando viajava procurava os presépios. Meu sogro fazia uns belos, mecanizados e com cachoeiras. Meu sogro faleceu esse ano. Ultimamente ele não reconhecia ninguém. Nada é como antes, A ampulheta não tem dó.

Os presépios que encontro são “made in China”. Tenho certeza esse será uma dos natais mais tristes da minha vida. Até a decoração de Natal está feia. Sem criatividade como os nossos governantes feitos gambiarras.

Gosto dos motivos. Da estrela que guia os reis magos. Ou seria um cometa. Do ambiente bucólico. Os animais e a manjedoura com o menino Jesus. Sinto o cheiro. E paz. Da história dos jesuítas que usavam os presépios para ensinar e catequizar.

Comprei um rústico presépio, feito por um artesão popular de Patú-RN. Lindo demais. Feito de areia do rio. Uma avó do meu amigo artista patuense confeccionou as roupas. Todas da época. Com veludos, fraques e panos da costa. Há dois anos montei pela primeira vez. Este ano estou sem graça. Nada mais real que aquela música de Assis Valente

Este ano já montei o meu presépio. Assim meio Vago. Talvez seja essa decoração de Natal. Na saída da minha casa todo ano uma imobiliária montava um presépio vivo. Com os carneirinhos e burrinho fazendo cocô. Ficava feliz ao passar e ver aquele lindo presépio. Este ano não montaram e me arrependi de não ter fotografado.

A árvore de Natal também foi montada e acesa. Ao passar naquele trevo só vejo os flanelinhas e o aleijadinho de todos os dias. Nem sei se Papai Noel lembrará deles. Também não sei se quero lembrar desse Natal. Mesmo assim Feliz Natal para vocês e um Belo 2015.

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