Primeira crítica negativa à Viagem ao Fim da Noite, de Céline

Criticar clássicos é cutucar o olimpo. E as referências à obra de Louis Ferdinand Céline alcançam o altar dos gloriosos. Difícil ir contra. Não uma crítica negativa! Pesquisei antes, li resenhas e comprei seu mais badalado livro: Viagem ao Fim da Noite (1932), sua estreia na literatura. E nem assim consigo ir adiante. Leitura enfadonha para quem foi influência mor de Charles Bukowski e até de cineastas, como Godard e Sergio Leone.

Cheguei a Céline por Bukowski e pela minha afeição aos autores “malditos”. Bukowski, Hunter S. Thompson, John Fante e outra leitura que me desagradou: Jack Kerouac. Então, Céline parecia ser a nova descoberta de uma série boa de novos livros, a partir do “pai” de muitos desses escritores já citados. Então, minha negativa ao livro não advém do pessimismo quanto à condução humana presente em cada página.

O livro é volumoso, tem mais de 500 páginas. Li umas 60. E talvez pare por aí. Leitura enfadonha, sem enredo, sem surpresas, sem ápices, sem personagens que sirvam pelo menos de bons coadjuvantes à mente perturbada de Bardamu – o alter-ego de Céline. O extremo niilismo (redundância niilismo e extremo?) do personagem se mantém inalterado, em uma sucessão de lamentos em situações e descrições pouco atrativas do ponto de vista literário.

“Viagem…” tem o mérito da originalidade. Sem dúvida Céline inaugurou uma linguagem romanceada praticamente autobiografada, em tons coloquiais e dando voz às classes mais pobres. Não à toa foi inspiração para tantos beats. Mas os alunos superaram o mestre. É minha opinião. E única, por sinal, o que me causa certo desconforto. Mas pior é a continuação da leitura. Amanhã tento outro.

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