Primeiro balanço da Flipa

Voltei de Pipa. São 1h10 da madruga neste instante. Não, não fiquei para a badalação após as mesas literárias da Flipa. Um congestionamento de mais de uma hora durante a volta atrapalhou o retorno após o jantar da governadora.

O que achei? Ora, cheguei atrasado, a Tenda estava lotada para assistir Danusa Leão e Woden Madruga e preferi o ar puro do lado de fora. E mesmo respirando ar da Flipa ao lado do amigo Abimael Silva, o tumulto tambem reinava.

Deixo a opinião oficial de Dácio Galvão: “Temos grandes festivais literários no país, como a Fliporto, a Flip e a de Festa Literária de Paço Fundo, mas nenhuma com o êxito obtido no primeiro dia de evento como esta”.

De fato. Desde a abertura das oficinas o público prestigiou o evento. Nunca tive dúvida disso, embora não esperasse tanto. Principalmente para uma quinta-feira. Minha dúvida reinava em qual público estaria presente.

Pois bem: estavam moradores, turistas e muitos adolescentes. Público de todas as faixas etárias. Alguns mais interessados, outros mais curiosos, mas todos presentes e entusiasmados também com a mostra de artesanato potiguar.

A informação até então inédita e desconhecida por todos finalmente me foi entregue: o investimento do Governo do Estado foi de R$ 400 mil, sendo R$ 210 mil somente da Secretaria de Educação. Foram mais de 40 escolas conveniadas. Bravo.

Com um pouco mais. Coisa de R$ 5 mil, veria uma dezena de jornalistas presentes. Esse público faltou. Não tinha um a serviço de jornal ou TV aberta. Apenas assessorias de governo, assembleia legislativa, site independente e a TVU.

Havia também, claro, os blogueiros e blogueiras. Hoje em dia parecem cearenses – estão em todos os lugares. Talvez nem tenham percebido a conversa informal entre a governadora e a estrela da noite, Danusa Leão:

A gove sugeriu à moçoila já bem maltratada pelos anos a prolongar o fim de semana em Pipa. Mas a senhora de cabelo parecido com uma vassoura de piaçava se disse impedida porque o gato dela (o bichano mesmo) estava mal de saúde.

Para uma escritora que sugere uma negação da crônica, este seria um excelente mote para um texto vingativo desta raça do chamado gênero menor da literatura, o gênero renegado às sobras dos banquetes literários.

Marina Colassanti posou para foto com o fotógrafo da Fundação José Gugu, Anchieta, após 15 anos do primeiro clique. “Realmente não lembro. Ambos já não somos mais os mesmos”, disse a escritora com a frase clichê.

E assim a Flipa começa. Sucesso absoluto de público. Provavelmente inesperado. Já se pode pensar em uma estrutura maior para o próximo ano. A quantidade de público do lado de fora é suficiente para preencher outros 300 lugares.

A programação para os próximos dias está mais interessante. Até desaguar em Lobão – bem melhor aproveitado no palco. Mas antes dele, muita antropologia, etnografia praieira, o regionalismo de Ronaldo Correia de Brito e muita música boa.

Sábado estou de volta ao Festival!

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