Professoras da UFRN lançam “Dicionário de Escritoras Portuguesas”

NO CORREIO DO MINHO

A “carência” de um trabalho que fizesse “um balanço” da produção literária feminina portuguesa levou três autoras a escreverem o “Dicionário de Escritoras Portuguesas”, que será apresentado na terça feira.

Conceição Flores, professora e uma das autoras do “Dicionário de Escritoras Portuguesas”, disse à agência Lusa que esta obra – que oferece uma listagem exaustiva de nomes e obras de mulheres portuguesas – veio colmatar uma “falha”.

Conceição Flores, Constância Lima Duarte e Zenóbia Collares Moreira, três professoras de Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, de Natal, são as autoras do “Dicionário de Escritoras Portuguesas”, que resulta de uma “pormenorizada investigação sobre autoras femininas na literatura portuguesa”, indicou Conceição Flores.

O objetivo do dicionário é “auxiliar estudantes e demais estudiosos” a conhecerem o universo das escritoras portuguesas, muitas vezes desconhecido para muitos, acrescentou.

Escritoras como Maria Teresa Horta, Florbela Espanca, Natália Correia e Inês Pedrosa “são algumas” das eleitas de Conceição Flores entre as escritoras portuguesas.

Disposta a avançar para novos projetos direcionados para a “escrita feminina”, Conceição Flores frisa que poeta e poetisa “significam exatamente a mesma coisa”.

Já Isabel Lousada, professora e investigadora do centro de estudos Faces de Eva, da Universidade Nova de Lisboa, e “orientadora” do lançamento da obra, não t em dúvidas: as escritoras têm sido “desvalorizadas” em relação aos escritores, havendo uma “discriminação de género na literatura”.

Falando à Lusa da sua “paixão” pela literatura portuguesa, Isabel Lousada destacou, nomeadamente, “a importância corrente da solidariedade feminina”.

A docente sublinhou que a “causa das mulheres deve ser entendida como a causa que pode levar ao progresso social da Humanidade”.

Consciencializar a comunidade de leitores e ouvintes, de adeptos e apoiantes da “causa feminina, que também pode ser feminista e em muitos casos deve ser feminista”, é um dos objetivos do dicionário, realçou.

Considerando que “há uma escrita feminina”, Isabel Lousada frisou que “diferente” não significa “tratamento especial”.

O “Dicionário de Escritoras Portuguesas” (Edição Mulheres) – que será apresentado na terça feira, às 18:30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa – reúne cerca de “duas mil escritoras” nascidas entre o século XV e a contemporaneidade, dispostas em ordem alfabética pelo primeiro nome.

Os verbetes reúnem informações biográficas e bibliográficas, munindo o leitor de dados que, regra geral, “não encontra agrupados”, o que constitui um instrumento “indispensável” para alunos, professores, investigadores e “todos aqueles que se interessam pela literatura escrita por mulheres”, resumiu Conceição Flores.

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