Projeto “Pedra Flor” lança oficinas que unem arte e autoconhecimento

Estão abertas as inscrições gratuitas para a oficina Canta Criança: da imersão à expansão, que faz parte do processo criativo Pedra Flor.

Rousi Flor de Caeté investiga o movimento, a voz, o corpo e os caminhos de autoconhecimento da mulher artista, não branca, buscando dar significados novos às memórias de abuso infantil sofridas por ela, através do corpo em cena, na relação com o público e na intersecção entre linguagens.

Em processo há 6 anos, transformou-se em performance há 2 anos. Rousi busca a partilha de experiências e traz músicas autorais, domínio público, dança, percussão e poesia como elementos desta partilha. 

A sonoridade é uma fusão de vários ritmos e tendências, além da intersecção com outras linguagens artísticas e tecnologias, o que faz dessa performance uma arte híbrida. A performance foi realizada através do corpo em cena em diversos espaços e cidades.

Contemplada pelo Edital de Projetos Culturais Integrados da Fundação José Augusto, Governo do Estado do RN, com recursos da Lei Aldir Blanc, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal, a performance é realizada online através de  oficinas, lives e pela  linguagem do cinema, através de videoperformance, com consultoria e captação de Renata Pyrrho e preparação vocal de Venicius Viana.

O projeto conta com várias etapas, uma delas é uma série de oficinas para o público, que envolve vivências de ressignificação de memórias infantis de violência através das lembranças de fruição experimentadas por nós, enquanto crianças.

São oficinas de dança, canto, composição musical e percussão, realizadas online de forma independente, com diferentes públicos e datas, com o objetivo de partilhar experiências vividas pela artista, seus processos criativos e contribuir com pessoas que desejam vivenciar processos de arte e autoconhecimento através de recursos que permitem o acesso às memórias de fruição e criação artística.

Rousi é alagoana, mora em Natal há mais de 30 anos. Cantora, compositora, escritora, artista visual e mestre em Educação sobre o tema Resiliência, está também se graduando em Terapias Integrativas Complementares, pesquisando resiliência artística. 

Seu objetivo é contribuir coletivamente para que memórias de violência infantil, nos adultos que passaram por estes traumas, sejam transformadas em superação através da arte, minimizando o estigma da doença mental e da vulnerabilidade, além de fomentar reflexões sobre a necessidade de proteger as crianças de situações de violência infantil doméstica, intrafamiliar e extrafamiliar.

Histórico

A performance foi criada a partir de um movimento de busca da artista para superar memórias de abuso infantil, encontrando a arte como resiliência. Este processo iniciou com a escrita do livro “A menina do Açougue” publicado pela Amazon em 2015, um conto autobiográfico em que narra estas memórias e divide com o leitor estratégias de ressignificação.

No mesmo ano, inspirada pela arte/vida de Civone Medeiros, sua pesquisa de doutorado, decide mergulhar em seus próprios processos artísticos e volta à cidade de origem (Maceió-AL) em busca do contato com a mãe e sua ancestralidade, quando adota o nome Caeté como parte do seu nome artístico e sua relação com a Umbanda e Jurema Sagrada em Alagoas.

Ainda neste mesmo ano inicia uma pesquisa sobre a musicalidade na cultura de terreiros em Alagoas e Pernambuco e passa a compor motivada por temas ligados ao autoconhecimento, ancestralidade, espiritualidade e feminismo.

Em 2018 cria a performance Pedra Flor, que traz questionamentos sobre violência infantil, corpo feminino, espiritualidade e as possibilidades criativas.

O processo criativo, que iniciou com uma pluralidade de expressões, culminou em reflexões sobre pertencimento e origem, o que fez a artista vivenciar e unir os conceitos de Constelações Sistêmicas e Sankofa e levou a relembrar e acessar o seu passado de uma forma consciente, cujas práticas violentas foram naturalizadas em função de processos culturais, ligados à ditadura e ao fascismo, como apanhar de cinturão, ser silenciada, ter os cabelos crespos cortados com gilete, bullyng e até abusos sexuais por um tio.

Estas memórias entraram em ressonância com arquétipos e pessoas da sua ancestralidade parental e cultural, que são tomados como cura no presente, criando elos consigo mesma e, num processo que une imersão e expansão, com pessoas que passaram por experiências semelhantes, gerando processos criativos que se desdobram.

Este projeto é um encontro entre as necessidades da artista e de muitas pessoas que trazem estas experiências, pois a partilha dos movimentos criativos que contribuem para a sua resiliência pode apontar caminhos para que outras pessoas se ressignifiquem através da arte, ao mesmo tempo em que o outro a inspira, tornando a prática individual e coletiva.

Serviço: PROCESSO CRIATIVO PEDRA FLOR LANÇA OFICINA CANTA CRIANÇA: DA IMERSÃO A EXPANSÃO, MEDIADA POR ROUSI FLOR DE CAETÉ

Domingo, 31/01, as 16h

ONLINE E GRATUITA

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES PELO LINK: https://chat.whatsapp.com/IXfthrWeSBG8hBKkewAAup

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