Protesto ou ofício?

Sou de um tempo em que protesto levava a marca da insatisfação coletiva. E não de interesses localizados insatisfeitos. De um tempo em que  quem protesta não usa pronome de tratamento bajulatório de excelência. Como quem diz: pague bem e tudo bem. Protesto é cuspe jogado na cara da autoridade incompetente e irresponsável. Quem não tem culhões para protestar, fique calado. Arte e cultura não precisam de protestos tímidos. São protestos por si mesmos. Não há governo. Há pompa e dinheiro público bancando a farra do poder. Não há respeito com a cultura, nem com a saúde, nem com a segurança nem com a dignidade humana. Essa carta de “protesto” é a cara da nossa humilhação, feito as crianças pedindo esmola nos semáforos. Tempo de merda!

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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