Provocações alencarinas

Caros e caras:

José de Alencar costuma ser evocado provocativamente por alguns leitores: Glauber Rocha o contrapôs superiormente a Machado de Assis, Ariano Suassuna fez o mesmo em relação a James Joyce.

Li Alencar, inicialmente, quando era moleque. Tenho lembrança de impressões desiguais. A extrema idealização de índios me perturbava – conhecera Monteiro Lobato antes, particularmente, o conto “Marabá”, mais o ensaio “Velha praga”. Reli “Iracema” (e outros títulos) anos depois, encarei a idealização de Alencar como uma convenção tão legítima literariamente quanto o realismo e gostei dos ritmos verbais, a virgem dos lábios parece um poemão.

É bom ler as convenções dos outros pensando em nossas próprias convenções. Minha geração foi educada literariamente à luz da modernidade, criticando os cânones. Gerações anteriores cultuaram cânones. Gerações mais recentes os retomaram respeitosamente.

Alencar tem uma importãncia indubitável na consolidação da leitura entre nós. Machado costumava elogiá-lo: burrice de um de nossos maiores inventores do século XIX?

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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