Pulitzer de ficção vago ouriça mundo literário americano

Por Fabio Victor
FSP

Uma pergunta ecoa no mundo literário americano desde a última segunda-feira (16), quando foram anunciados os vencedores deste ano do Pulitzer, um dos principais prêmios de literatura e jornalismo dos EUA, e a categoria “ficção” não teve ganhador.

Estaria a prosa americana enfrentando uma crise?

Pré-selecionados por um júri especializado entre mais de 300 títulos, os três finalistas foram “The Pale King” (o rei pálido), romance póstumo de David Foster Wallace (1962-2008); “Swamplandia!”, de Karen Russell; e “Train Dreams” (“Sonhos de Trem”), de Denis Johnson.

Responsável pela escolha final dos vencedores, o Conselho do Pulitzer informou que nenhum dos três atingiu a maioria necessária exigida –dez votos entre 18.

O vácuo não é inédito. Desde a primeira edição, em 1917, a categoria já ficou sem vencedor outras dez vezes, mas chamou a atenção porque não acontecia havia 35 anos.

O administrador do Conselho do Pulitzer, Sig Gissler, admitiu que a lacuna é frustrante e a lamentou. Mas, alegando que o trabalho do conselho é confidencial, negou-se a detalhar seus motivos.

Assim, especulações explodiram. “The Pale King” foi subestimado por não ter sido concluído pelo autor, mas construído por seu editor a partir de fragmentos.

“Train Dreams” já havia sido publicado na revista “The Paris Review”, em 2002, e agora reciclado em forma de livro. E “Swamplandia!” seria muito bizarro e de uma autora muito jovem (29 anos à época da publicação).

Um coro ruidoso surgiu para dizer que não, de modo algum há crise, e a literatura americana vai muito bem.

A maior revolta partiu dos jurados da categoria. A reportagem ouviu dois dos três integrantes, as críticas Susan Larson e Maureen Corrigan.

Dizendo-se “chocada, desapontada e brava” com a decisão, Larson, que presidiu o júri, argumenta que havia ótima literatura entre os concorrentes, tanto que foi dificílimo chegar à lista tríplice.

Corrigan atacou o conselho do prêmio. “Se houve problemas com os finalistas, eles não deveriam ter sido enviadas a nós pelo Pulitzer no início da seleção. Ou, se havia problemas, o Pulitzer poderia nos ter alertado em dezembro, quando enviamos a eles os finalistas.”

Editor da principal revista literária americana, a “Paris Review”, Lorin Stein considera os três finalistas muito fortes. “Como conjunto, eles mostram a literatura americana em muito boa forma.”

Pelo menos dois exemplos demonstram que o conselho é caprichoso. Em 1941 e 1974, o prêmio também ficou vago, quando “Por Quem os Sinos Dobram”, de Hemingway (em 1941) e “O Arco-Íris da Gravidade”, de Thomas Pynchon (em 1974), eram favoritos.

Uma vez que o Pulitzer é o prêmio literário que mais alavanca as vendas de seus vencedores, os editores também chiaram. Mas, passado o golpe inicial, viram que não foi tão ruim assim: desde o anúncio dos finalistas, na segunda, as obras dos três subiram nas listas de best-sellers

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