Púrpuras tardes

No silêncio turvo e gélido,
espelhos e sorrateiros passos melódicos,
fundem-se em enigmática noite.

Serenata indesejada à janela,
assobios de ventos são augúrios
a arrepiar a epiderme da madrugada.

Com gotas de claridade,
vaga-lumes,
sintagmas-luzes,
ponteiam o manto negro
do cio da escuridão.

E surgem
murmúrios de brisa
a balançar o escuro véu,
soprando vida,
despedaçando a solidão,
em tímidos veios de cor.

O dia avança,
com a liberdade de um condor,
sabendo que outra vez morrerá.

Púrpuras tardes,
prelúdios e presságios,
que outros passos e espelhos
urdirão de mistérios
outras noites sem estrelas…

*****
davidmleite@hotmail.com

Escritor e professor universitário. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Anchieta Rolim 6 de setembro de 2011 15:25

    Belo poema David, muito bom mesmo.

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