Puta que pariu

indiasGilberto Freire apoiou a ditadura daqui. Onde havia pessoas nossas, do nosso convívio, sendo torturadas. A escrotice stalinista não é antídoto para desenvenenar a peçonha dos intelectuais que apoiaram a ditadura brasileira. Poeta que apóia ditadura arranca os testículos dos seus versos. Meu primeiro compromisso é negar a ditadura daqui. Para não envergonhar os que morreram aqui. Os violentados de outras ditaduras merecem minha solidariedade. Os daqui exigem minha memória constante. Com o cheiro de súplica, do poeta Alverga, no sangue nunca coagulado. Gilberto Freire mentiu na política e na antropologia. Aquela história da predominância da índia fêmea na formação do povo, por encontrar o português ávido de sexo, diante do índio frio e da distância das mulheres pudicas da Europa, é uma demonstração da sua estupidez antropológica. O índio não era frio. Era desprovido da sensualidade erótica dos europeus. As mulheres européias não eram pudicas. Apenas hipócritas. Muita roupa na rua e muita sacanagem na cama. A índia nua atraiu os marmanjos que vinham de muita jornada trocando pelo mar. Alguns sentiam falta de mulheres. Outros nem tanto. Tô de saco cheio de tanta sabedoria.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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