Quando ouço falar em cultura saco Alexandre Frota

“Se você quer me ver presidente um dia, eu quero te ver ministro da Cultura, já imaginou, cara?”, diz rindo o pré-candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro, ao ator Alexandre Frota, em vídeo que circulou esta semana.

Em não vi graça no vídeo Também não me surpreendi com a fala do presidenciável. Depois de todas as palavras e atitudes ensandecidas dele nos últimos tempos, nada de ruim que venha deste homem me espanta mais.

Frota é aquele ex-ator pornô, que resolveu entrar para a política. Tudo a ver a identificação intelectual entre os dois. É a renovação política à brasileira!

Assistindo ao vídeo, alguém pode pensar que o ex-militar está brincando ou fazendo mais uma das suas bravatas costumeiras. Pior é que não está.

O que pode se esperar de um tosco? Bolsonaro despreza a arte e os artistas, poetas, escritores, intelectuais. Claro, a recíproca é verdadeira. Salvo doentias exceções.

Desprezo estendido à pluralidade, minorias, mulheres, direitos humanos, índios, pretos e pobres. À inteligência, sobretudo.

Se tivesse algum conhecimento, é bem provável que o ex-capitão vomitasse a famosa citação, “Quando ouço a palavra cultura, saco logo meu revólver”, atribuída ao líder nazista Hermann Goering, mas que na verdade é uma passagem da peça Schlageter (1933), de Hanns Johst, teatrólogo nazista.

Pesquisas recentes mostram que as ideias fascistas do ex-capitão do exército encontram apoio entre os mais ricos e escolarizados. Escolarizado não significa politizado. Graduação acadêmica não torna ninguém menos ignorante politicamente.

Conheço profissionais nas mais diversas áreas (humanas, saúde, exatas…), com especializações e títulos, que recomendo os caros serviços deles sem medo. Mas, politicamente são uns ignorantes. Alguns, fascistas assumidos.

Certamente que se chegasse ao poder Bolsonaro trocaria o Ministério da Cultura pelo Ministério de Moral e Cívica ou Ministério da Bala ou ainda Ministério da Bíblia e da Bala. Por paradoxal que pareça as bancadas parlamentares da bala e da bíblia no Congresso defendem praticamente as mesmas bandeiras.

O Brasil esculhamba mesmo tudo. Aqui o liberalismo anda de mãozinhas dadas com as igrejas neo-pentecostais, numa simbiose esdrúxula, que faria corar os pais fundadores desta corrente filosófica.

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