Quanto mais perto melhor

Muitos dos melhores shows que vi na vida foram em lugares muito pequenos e sem quase ninguém assistindo junto. Pensando nisso decidi estrear minha coluna sobre música aqui no Substantivo Plural remando contra a maré. Sim, parece lógico, mas a verdade é que muita gente ainda pensa que é nas grandes arenas ou na TV aberta que se vai encontrar a melhor música para se consumir, quando na verdade o caminho é exatamente o oposto.

Nas minhas andanças culturais tenho ido bastante em São Paulo, centro urbano da sulamérica e umas das melhores cidades do mundo para se ver shows ao vivo. A oferta chega a ser indecente a cada dia, tornando a aventura de sair de casa para acompanhar música ao vivo uma celebração sem fim, que pode começar ainda no dia claro do entardecer até o primeiro raiar do sol madrugada a dentro. Tem que ter saúde para isso, mas a experiência é incrível para quem curte música e cultura.

Sim, temos os grandes shows e festivais pop, que são bons também, mas nada se compara com o contato direto e sem distrações adicionais de ver um show num lugar como a Casa do Mancha, por exemplo. Uma sala para no máximo 80 pessoas e que recebe quase que diariamente a produção mais nova e arejada da música brasileira. Já vi tantas coisas maravilhosas lá que até perdi a conta. Ava Rocha me arrebatando, Huey deixando todo mundo surdo, os potiguares Koogu impressionando. Isso tudo numa mesma semana só para usar como exemplo.

As micro-casas de São Paulo se multiplicam e se espalham noite a dentro. Tem o Epicentro Cultural, Puxadinho da Praça na sua versão Secretinho, Serralheira, Hotel, Costella, impossível citar tudo e todos. Mas vale muito entrar nesses perfis (todos tem facebook atuante) e aproveitar a curadoria desses lugares que a diversão e a surpresa de ver um novo artista é garantida!

Foca, em Natal tem movimento parecido? Tem sim. E só aumenta. Dá para encontrar música excelente em lugares muito pequenos e confortáveis como Between, Enquanto Seu Lobo Não Vem, Labiata, El Rock, entre outros, todos com capacidade pequena para o público, mas com programação gigante do ponto de vista artístico.

As baladas, a festa são importantes, ajudam a gente a viver melhor, enfrentar os problemas da vida diária. Disso a gente não abre mão. Mas que a experiência de um show ao vivo que você se emocione e solte seus bichos junto com um bom artista continua sendo uma das cosias mais legais a se fazer na vida. Se for num lugar pequeno onde a energia se concentra ainda mais, pode ser inesquecível. Experimente!

Músico, produtor cultural, promotor do Festival Dosol e pronto para contar as vivências intensas da música de Natal e do mundo, porque viver é uma trilha sonora ininterrupta. [ Ver todos os artigos ]

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