Quase vinte e quatro

relógio

Corre no meu sangue
Um cheiro de veneno.
Vinte e três segundos mais
Sinto um germe
No meu cérebro.
Inquieta, tola, pateticamente
Canhota.
Um tique-taque na boca
Ou no pé, uma mensagem idiota
Atravessando o ouvido
E… Como de tudo duvido,
Egoísmo, possessão, não sei.
Quem sabe é insegurança? …
Vinte e três e já não sei,
Talvez quem sabe na cama,
Essa coisa vai passar…
Seria bom dormir, sonhar…
Sonhar… Acho… Bom! (…)
Deixo escapar um flagrante
É o inconsciente safado.
Aqui todo enciumado…
Bobo, tolo, a mesma coisa.
Ai quanta besteira!
Ninguém tem nada,
Com nada.
Já é quase vinte e quatro,
Pra que essa confusão… (?)

(03.08.1984).
(Ednar Andrade).

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Denise Araújo 9 de Agosto de 2011 8:03

    Gostei do poema, Ednar. Esta confusão permanece, nunca passará. Nem o tempo, nem o repouso, nem a razão, nem o espírito, nem o outro… Este eu-lírico (e)ternamente irrequieto é todo o sentido de que você precisa. Não precisa de salvação. A boa arte tem deste incômodo. Parabéns, amiga.

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