Quatro longas notas culturais e duas políticas

Brooklyn, um filme delicado e bonito
Fazia muito tempo que não assistia a um filme de amor decente. Brooklyn, em cartaz no Cinepólis, do diretor John Crowley, com a lindona Saoirse Ronan (que olhos, acho que me apaixonei! rs), me agradou demais. Um filme de época (se passa na década de 50), com fotografia e figurinos bacanas, de encher os olhos. É baseado no livro homônimo do escritor Colm Tóibn. Ganhou o principal prêmio do cinema britânico, o Bafta, de Melhor Filme Britânico, e concorre ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Uma palavra para resumi-lo: delicado (leia crítica). Hoje entraram em cartaz mais dois filmes que concorrem ao Oscar, Carol, do conhecido diretor Todd Haynes, e A garota Dinamarquesa, de Tom Hopper. Ambos concorreram ao Bafta, mas não ganharam nenhum prêmio.

Sobre a entrevista de Dácio
Li algumas críticas à entrevista do secretário de Cultura/Funcarte, Dácio Galvão. Não vou entrar no mérito da pertinência ou não, da razão ou não dessas críticas. Dependendo do ângulo que se olhe, todos estão cobertos de razão. Mas gostaria e seria importante para o debate que elas viessem acompanhadas de propostas, sugestões, ideias, correções de rumo. Penso que isso enriqueceria a discussão. O fato é que o prefeito de Natal optou por um modelo de gestão cultural, muito parecido com o de outras capitais do Nordeste (editais, grandes eventos etc), que Dácio coloca em prática com competência. É um modelo que agrada a uns (a maioria da população, acredito) e desagrada a outros, sobretudo a muitos artistas.

claudia leitteA Lei Rouanet e seus absurdos
Enquanto a lei não for mudada seremos obrigados a conviver com absurdos rotineiros como esse do livro sobre a cantora Cláudia Leitte. Felizmente, a produtora da artista anunciou a desistência do projeto, que custaria a bagatela de R$ 355,927 mil. Pelo menos a história rendeu uns memes bem divertidos. Essas leis, nos três âmbitos de poder, precisam ser revistas com urgência. Patrocinam muita vigarice com nossos impostos.

Os sete que votaram pelo avanço
Meu aplauso para os sete vereadores que votaram favorável à inclusão no Plano Municipal de Educação da discussão de gênero nas escolas: Amanda Gurgel, George Câmara, Júlia Arruda, Hugo Manso, Maurício Gurgel, Marco Tinoco e Sandro Pimentel. Difícil mesmo é engolir vereador homossexual bradando e votando contra. É preocupante essa ofensiva das igrejas aliada à direita conservadora e oportunistas que tem medo de perder votos dos religiosos. Não apenas não estamos avançando, mas correndo sérios riscos de retrocessos políticos e sociais. Nesse projeto votado pela Câmara, assisti a um vídeo e li um panfleto de gente ligada à religião com argumentos tão mentirosos e estapafúrdios, que a primeira coisa que me veio à cabeça foi indagar se esse povo é doido, se faz de doido ou acredita mesmo nas maluquices que defende. É de estarrecer! No final tem o teor de um desses panfletos distribuído pelo WhatsApp. Se tiverem saco leiam.

Livro digital – minhas primeiras impressões
Li até o fim o primeiro livro digital, “Tudo que tenho levo comigo”, de Herta Müller. Estou numa fase de migração e adaptação. Não é uma mudança fácil, afinal são décadas de leituras no papel. Estou fazendo a mudança lentamente, usando dois aplicativos digitais, o Kobo, da Livraria Cultura, e o Play Livros, do Google. São bem parecidos, não noto diferenças significativas entre um e outro. Já baixei cerca de 50 livros. Minhas leituras mais longas a partir de agora serão através desses apps e dos livros impressos. Minha opinião: o livro impresso continua insubstituível. Não sei até quando, mas essas ferramentas atuais ainda não o superam. O impresso oferece mais conforto visual, é mais fácil manusear as páginas pra frente e pra trás, e o processo de sublinhar e riscá-lo é mais cômodo. Outra coisa, com o impresso eu decoro mais fácil o nome do livro que estou lendo, a cada momento que o pego, o título está lá na capa. Com o digital, o bicho já abre na página que eu parei na última leitura, então fica mais complicado decorar o título, principalmente se for mais longo. Enfim, essas são impressões iniciais, de quem está dando os primeiros passos nesse novo mundo do livro digital, pode ser que aos poucos eu vá mudando de opinião.

O ódio está nas ondas do rádio
No início da semana os Sem Terra ocuparam por algumas horas uma rodovia do estado. Protestavam contra alguma coisa que não lembro agora. Por acaso, eu estava indo pra casa almoçar e sintonizei uma emissora de rádio que tem um programa político/policial nesse horário. Não causou-me surpresa a forma como os radialistas trataram os Sem Terra, chamando João Stédile de bandido, defendendo a repressão brutal, que os trabalhadores deviam ser metralhados, além, claro, não iram perder essa oportunidade, associando o PT ao MST e a toda “baderna” existente no país etc. Esse e outros programas similares existentes nas rádios natalenses são claramente contra os movimentos sociais. Para eles, são um bando de criminosos. No caso específico, espantou-me mesmo foi o ódio contra os trabalhadores sem terra, defender que os caras sejam metralhados, parece-me um pouco demais.

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Um dos panfletos que recebi

Bom dia!
Louvamos ao Senhor mais uma vez pela vitória que nos concedeu nesta tarde na câmara municipal de Natal, que aprovou o Plano Municipal de Educação derrubando os artigos que tratavam de ideologia de gênero. Somos gratos aos irmãos que estiveram em oração por essa causa, porque luta espiritual foi intensa, o grupo LGBT levou inclusive dois pais de santo, que no plenário da câmara invocaram todos os seus orixas e demônios inclusive entoando canções de terreiros de umbanda, sofremos todo tipo de agressão e fomos hospitilizados, mas no poder do sangue de Jesus repreendemos toda orquestração diabólica naquele lugar e o Senhor venceu por nós essa grande batalha. Mais uma vez afirmo que precisamos estar unidos em prol do Reino de Deus como verdadeiros sacerdotes que não tem do que se envergonhar e que manejam bem a palavra da verdade! É muito importante neste ano eleitoral que divulguemos o nome dos vereadores que votaram a favor da ideologia do gênero e ainda financiaram quentinhas e condução para que os ativistas LGBT e Levante Popular estive inclusive atrapalhando os vereadores que fossem falar a favor dos nossos princípios fossem hostilizados.
Pedimos aos irmãos que dêem ampla divulgação denunciando o nome dos vereadores que foram a favor da ideologia de gênero. São eles:
– Júlia Arruda
– Sandro Pimentel
– Amanda Gurgel
– George Câmara
– Hugo Manso
– Maurício Gurgel
– Marcos Tinoco

Que o nome de Jesus seja glorificado!!

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