Que nas torturas toda carne se trai

As ditaduras imitam-se umas às outras. Sobretudo, nos horrores que patrocinam. O Brasil também teve seus “julgamentos” políticos de exceção, como a URSS sob Stalin. Se bem que as Democracias, aqui e ali, também trilham esse caminho. O julgamento de Lula por Moro é um exemplo disso. Mas, é mais raro.

Durante o governo Médici, o mais sanguinário da ditadura de 1964, cerca de 40 militantes de esquerda, presos e torturados, vieram a público mostrar arrependimento pela participação na luta contra o regime militar. Esse é um episódio histórico pouco relembrado. Eu mesmo não lembrava bem dele.

Essas “autocríticas” eram transformadas em espetáculos de propaganda pelo governo. Um documentário, lançado no Festival É Tudo Verdade, “Os Arrependidos”, resgata essa história, com depoimentos de militantes que participaram das sessões de autocríticas públicas. O documentário é dirigido por Ricardo Calil e Armando Antenore.

Alguns depoimentos revelam que parte daqueles jovens “arrependidos” ingressaram na militância política e armada sem saber direito em que estavam se metendo. Outros, não, nota-se uma consciência política.

Uma curiosidade que tem a ver com o RN: aparece no documentário um recorte de jornal com uma reportagem sobre os “arrependidos” escrita pelo jornalista potiguar Murilo Melo Filho. Não dá para identificar o jornal. Presumo que seja do RJ, onde ele morava e trabalhava.

O Festival É Tudo Verdade está sendo exibido, gratuitamente, na plataforma Looke.

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