Quem fará um kit para ensinar aos governantes?

O recente episódio brasileiro do kit anti-homofobia é um assombro: depois de se produzir, a duras penas, um material que enfrenta o problema, onde se afirma que homem amar homem e mulher amar mulher são opções dignas, eis que setores governamentais recuam vergonhosamente – e parece que em função de defender um de seus membros contra acusações de outra natureza.

Os argumentos que sustentam o recuo, divulgados pela FSP, são outra calamidade: suposta propaganda de uma opção erótica, ausência de elogio a outra opção… Quézia Bombonato chega a dizer: “O video mostra que é legal ser homossexual. Nunca vi um video mostrar que também é legal o outro lado [ser heterossexual]”

Uai! Eu pensei que os casais hetero de novelas eram declarações de que é legal ser hetero! E Quézia ignora explicitamente que as duas opções podem ser legais sem que uma desqualifique a outra.

Tenho amigos, de ambos os sexos, hetero, homo e praticantes da abstinência. Meu critério de amizade (respeito e dignidade) não passa por declaração de opção erótica. Considero tal opção de foro exclusivamente íntimo.
Nós, da sociedade civil, precisamos urgentemente criar um kit civilidade para governantes mais ou menos bem intencionados. Como se sabe, o caminho do inferno está forrado de boas intenções.

Aproveito para lembrar que heterossexuais não costumam ser agredidos ou até assassinados devido a sua opção erótica.
Estamos mesmo no século XXI?

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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