A quem interessa o golpe

Nós que combatemos contra o impeachment sem crime de responsabilidade o sabemos desde o começo, mas agora está escancarado e os próprios golpistas o declaram candidamente: o que está em curso é um golpe das grandes corporações, aglutinadas ao redor da Fiesp, interessadas na destruição dos direitos trabalhistas e na generalização das terceirizações; um golpe do capital financeiro, interessado na privatização maciça das instituições financeiras públicas; um golpe do capital internacional, especialmente as multinacionais petroleiras sedentas por se apoderar do Pré-Sal, e um golpe da bancada do boi, da bala e da bíblia, desejosa de levar adiante sem mais qualquer obstáculos pautas contra a agricultura familiar, contra a laicidade do estado, a favor da indústria do armamento e semelhantes.

É um golpe do grande capital contra o mínimo de direitos, espaços e poder de decisão conquistados pelos trabalhadores, os pobres e as minorias oprimidas na década de governos de conciliação de classe do Partido dos Trabalhadores; contra o mínimo – ainda extremamente precário e completamente insuficiente, mas um avanço com relação ao passado – de soberania conquistado nos últimos anos pelo povo brasileiro na gestão autônoma dos seus bens comuns.

Não que os governos petistas não tenham favorecido os interesses das forças sociais, econômicas e políticas que hoje promovem o golpe; mas certas pautas ainda encontravam resistência ou, quando o capital conseguia faze-las passar, era obrigado a negociar com os interesses populares para pelo menos “maneirar” seus efeitos.

Todo o mundo vê claramente, agora, o que de fato é este golpe.

Dentre os que o apoiaram e apoiam, 1% talvez irá realmente se beneficiar das políticas que o governo golpista pretende promover. Os demais 99% irão sofrer na pele empobrecimento, diminuição de direitos sociais e civis, de espaços e oportunidades. Resta saber se essas pessoas continuarão a acreditar nas forças golpistas e qual será a reação de todos os demais ao ataque violento a nossos direitos que está por vir.

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