Quem sabe, sabe

Encontrei isso aí no blog de Civone Medeiros. Quem foi que disse aqui que Clarice Lispector era chata?

Do trecho d’A Hora da Estrela:

“Via-se perfeitamente que estava viva pelo piscar constante dos olhos grandes, pelo peito magro que se levantava e abaixava em respiração talvez difícil. Mas quem sabe se ela não estaria precisando de morrer? Pois há momentos em que a pessoa está precisando de uma pequena mortezinha e sem ao menos saber. Quanto a mim, substituo o ato da morte por um seu símbolo. […] Eu, que simbolicamente morro várias vezes só para experimentar a ressurreição.

Acho com alegria que ainda não chegou a hora de estrela de cinema de Macabéa morrer. […] Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida,. Os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago.”

— Clarice Lispector

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