Questo sono i miei fiumi

Por Jarbas Martins

ESPINHARAS

a Gildete Moura de Figueiredo

espinharas que o sol estanca flor e sede seridó Serra Negra rede branca arredio rio só

os espinhos do sertão guardo todos na memória mandacaru xique-xique macambira palmatória

chão desfolhado presente veredas da minha sorte memória dor afluente minha Serra Negra do Norte

*

RIO PATAXÓ, RIO ANGICOS

a Carmen Vasconcelos

rio seco… desinverno… rio pataxó rio angicos pousa a tarde em meus cabelos como a sombra de uma oiticica

como na canção do cego – cruéis janeiros, pataxó – em chão de guerra e sossego aprendi também a ser só

esperando meus invernos murmurando inquietudes nas vazantes do meu tédio no sono dos meus açudes

tantas águas pataxó tantas mágoas represadas rio escondido em meus olhos um rio seco. E mais nada

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. nina rizzi 29 de abril de 2010 12:27

    que coisa mais rica, jarbas. eu que amo os rios e amo os sertões vou guardar esse como souvenir pra minha gente.

    beijo.

  2. Carmen Vasconcelos 29 de abril de 2010 9:47

    Seu poema é lindo e comovente, Jarbas. Quem conhece o nosso rio entende suas palavras nas profundezas. Profundezas que, não sendo da presença da água se fazem da sua ausência. Guardarei esse poema entre meus caros afetos. Muitíssimo Grata.

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