Quimera

quimera

Sisuda mágoa.
Espelho do meu pálido sorriso,
Nem devaneio, nem dispersão…
Nem prazer és… (És quimera…?)
És-me cálice de longe e tardio olhar desigual
Que lanço sem saber o desatinado tremor…
Espada aguda e cega.
És-me chama,
Fogueira de bruta e rubra violeta cor.
És-me guerra…
Enfadonho trilho…
Mescla de carne em conflituoso escárnio.
Sombra… Ave de rapina
Soberbamente carregado de engano
PORQUE (?) Porque?
Em calmas nuvens, não traz-mes brisas?
Podias ser anjo, podias ser inerente paz…
Mas fugitiva força, me atrais…
Oceânico sonho…
Distante cometa sem brilho,
Sem vida própria.
Imperfeita e amputada luz…
És como a primavera sem flores,
És o chão estéril,
O abismo e o sofrimento dos esquecidos,
A carência do pão que foi “cuspido…”
O aborto, o peito que arde
E queima pelo latejante leite contido.
O filho pródigo,
O rio irreverente que segue,
Sem se importar com o que arrasta…
Torrente…
Devastando tudo sem rastro deixar
És… O começo e o fim do nada…
És, sobremaneira, estúpido, mortal sentido
Venerado e soberano sem de nada seres Rei…
Crucificado e escarlate sacrifício…
…Também calvário…
És cruz.

(Ednar Andrade)
(21*01*2011*).

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Anne Guimarães 25 de fevereiro de 2011 7:40

    Palavras fortes, profundas…
    que trazem muita reflexão.
    Gostei!
    Um abraço terno, querida.
    🙂

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