Rapadura

Almanjarra puxada pela junta de bois,
Range…range…
Enquanto a cana prensada
derrama a garapa
na caldeira da frente.
Outras caldeiras,
na fila das trempes,
esperam a vez de esfriar a quentura
que cheira na telha.
A concha de cuia,
na ponta da vara,
mantém mais longe
o mestre-de-engenho,
mexendo a garapa e coando a espuma.
Do lado, à espera,
se posta a gamela
que vai receber o melado amarelo.
Depois vai pra forma,
esfriar da quentura,
adoçar a madeira
e virar rapadura.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. ana rita dantas suassuna 11 de junho de 2012 1:57

    Alô François,
    Vou participar de um evento em São Paulo e fazer uma degustação com rapadura.
    Esse seu texto, melhor síntese que vi sobre o processo produtivo do nosso doce “Raínha”, está perfeito para ser lido como introdução. Precisamos divulgar nossas raízes e mostrar nossa comida com tudo que tem de bom e como valor cultural e literário.
    Parabens!!
    Inspire-se para fazer o mesmo com outras comidas típicas do semiárido.

  2. françois silvestre 12 de outubro de 2011 6:21

    Ou em pedaço com queijo de coalho. Abraço, Oreny.

  3. Oreny Júnior 11 de outubro de 2011 19:52

    …ela raspada com feijão e um pedaço de charque,
    abs françois

  4. François Silvestre 10 de outubro de 2011 11:26

    Elilson, será uma honra. Quando quiser fazer uso de qualquer texto meu, fique à vontade. Num precisa pedir permissão. Jairo, vc tá devendo uma subida à Serra. Danclads, meu abraço.

  5. Elilson Batista 10 de outubro de 2011 10:14

    François, belo poema descritivo! Pena que o computador não emite cheiro (ainda)! Peço licença a Vossa Mercê para republicá-lo no meu blog, o rapadura Cult.

  6. François Silvestre 10 de outubro de 2011 9:38

    Nem sei o que dizer…

  7. Danclads Andrade 9 de outubro de 2011 20:02

    Melódico de mel de rapadura, lambuzando o leitor da mais fina poesia.

    Maravilha, François!!

  8. Jairo llima 9 de outubro de 2011 15:51

    Ei, Françoi, que legal, cara, melódico como assobio, rítmico como um ganzá enfeitado de sol e de fitas encarnadas. Arrasou, meu rei.

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