Raul, um novelão

Por Inácio Araújo
UOL

Esse é outro filme brasileiro que não sou eu quem vai aconselhar a não ir ver. Há muito de interessante ali. A pesquisa iconográfica é boa. Parte considerável das entrevistas vem ao caso, etc.

Aqui, no entanto, a narrativa deriva perigosamente para o novelão, coisa que “Heleno” soube evitar.

É estranho, tratando-se de um documentário, mas é isso mesmo que se vai construindo, o melô do Raul: suas mulheres, suas bebidas e drogas, os amigos, a luta para se manter à tona, queda e recuperação, etc. etc.

Tudo até chegarmos ao túmulo. Choro e apoteose. Finitude e eternidade.

Isso tudo é bobagem.

Esse aspecto é bem deficiente, bem convencional no filme, assim como uma série de entrevistas com gente bem no corpo, bem no mundo – gente que representa o antípoda de Raul Seixas, enfim.

Por mais problemas que se possa descobrir, estamos no documentário típico: entra uma velha filmagem de um show de RS e tudo renasce no filme.

(A não esquecer: Jairo Ferreira fez um vídeo sobre Raul Seixas que a família embargou: é uma pena, porque esse seria um trabalho sobre Raul feito por um outro Raul).

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