Recomendação

Por Everton Dantas
NO NOVO JORNAL

POPULAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE

Das ruas, das casas e da
vida comum e mais difícil

RECOMENDAÇÃO N° 001/2012

A POPULAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE, por intermédio do seu entendimento quanto ao que é justo e o que realmente representa o interesse público; e com base no inciso IV (“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”) do artigo 5º da Constituição; e os incisos XI (“a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos”); e XII (os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo) do artigo 37º da Constituição Federal;

CONSIDERANDO que a Constituição Federal é a lei máxima de um país é que seu texto deveria ser seguido por todos, principalmente pelos que dizem agir em função da Justiça e do interesse público;

CONSIDERANDO que 90% da população brasileira vive com salários inferiores a R$ 1.000 enquanto uma minoria de funcionários públicos consegue — jogando em favor próprio — reter para si subsídios, gratificações, prêmios etc, etc, etc que vão além dos R$ 26,723,13 tidos como limite de ganho para todos os brasileiros pagos com dinheiro público;

CONSIDERANDO que todos os brasileiros são iguais perante a lei;

CONSIDERANDO que a matémática é uma ciência exata e que qualquer cidadão minimamente alfabetizado sabe que a partir de R$ 26,723,14, qualquer salário é maior que o teto constitucional, atualmente no valor de R$ 26,723,13;

CONSIDERANDO que salário, crédito, rendimento, comissão, embolso, emolumento, estipêndio, férias, honorários, paga, pagamento, proventos, remuneração, retribuição, soldo, vencimento, ordenado etc etc etc referem-se todos a única coisa: dinheiro;

CONSIDERANDO que o mundo fica muito mais fácil quando se tem debaixo do braço um órgão que elabora uma ou duas medidas para APERFEIÇOAR a LEI MÁXIMA de um país em nome do direito de uma categoria que ao mesmo tempo bate corner, cabeceia e faz gol;

CONSIDERANDO que no páis do futebol não é surpresa ver surgir craques frustrados que aprenderam a ser Pelés independente da área de atuação;

CONSIDERANDO que nos mercados, nas feiras, nas bocadas, na hora da novela, ninguém consegue ver diferença muito clara entre os lados para onde corre o dinheiro;

CONSIDERANDO que no seviço público o POVO é o PATRÃO;

RESOLVE:

1. RECOMENDAR a quem se sentir atingido por tudo o que foi considerado anteriormente que — entre um carro importado novo e uma noite de vinhos finos — enviem aos jornais um release chamando para uma coletiva na qual vão explicar como passarão a cumprir o TETO CONSTITUCIONAL, esse recorde financeiro que poucos brasileiros jamais serão candidatos a alcançar;

2. RECOMENDAR que o e-mail venha com um anexo onde estará a ação (ou algo que o valha) para que tão rápido como se prendem os envolvidos em escandalos (e inclusive o que não têm culpa) seja aplicada a medida “abate-teto”;

3. RECOMENDAR que seja convocada uma coletiva com a elite da instituição/poder para explicar (com o uso de diagramas) como se dava a quebradeira no TETO CONSTITUCIONAL, quem fazia isso; os valores ultrapassados; as devidas comparações cabíveis (por exemplo: com esse dinheiro daria para colocar o calçadão de Ponta Negra nos trinks)

4. RECOMENDAR que, do contrário, se não estiverem dispostos a cumprir a lei que deveria ser respeitada por todos, não enviem notas, comunicados, explicações e/ou detalhamentos, manifestações de pura zombaria com a inteligência pública;

5. E RECOMENDAR, por fim, se não for para cumprir a lei: NOS POUPEM.

Natal/RN, 7 de Agosto de 2012.

População do Rio Grande do Norte – a quem dizem proteger quando indicam “em defesa do interesse público” ou “em nome da Justiça”.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Denise Araujo 8 de agosto de 2012 9:19

    Everton Dantas, mais lúcida, justa e digna do que a sua revolta, impossível. Quisera que toda a sociedade se emponderasse desse pensamento e agisse em favor do verdadeiro “interesse público”. Parabéns e não pare, por favor.

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