Rede Potiguar de Teatro lança manifesto contra gestão pública municipal (e esquece a estadual)

É justo e oportuno o manifesto da Rede Potiguar de Teatro se não parecesse tão político. É notória a preferência política da Rede a partir da preferência pessoal – legítima, obviamente – de seus integrantes. É notório que a Rede tem entre seus integrantes o gestor estadual de cultura. Então é no mínimo suspeita essa Carta invocando problemas tão somente municipais. Na minha opinião esse manifesto deveria ser amplo. Ora, onde está o questionamento aos tantos equipamentos culturais fechados do Estado, notoriamente os teatros? Equipamentos que, a exemplo do TCP e do TAM, o próprio Governo do Estado está correndo atrás de resolver um problema provocado pela gestão da Fundação José Augusto, que mandou fechar ambos (provavelmente trago novidades ainda hoje, a respeito!). Aliás, se analisarem bem, a carta reclama de algo que existe e pode deixar de existir. E por que não reclamar do que nunca existiu ou já deixou de existir faz tempo? Há anos os autos do Estado deixaram de existir, o Agosto do Teatro, os editais… Vamos reparar Natal e esquecer o RN? E uma Rede de Teatro pedindo para usar uma hastag que contemple ainda outros aspectos que não o segmento teatral? Difícil fugir da suspeita política. De qualquer forma, político ou não, vale o reclame capenga. E segue abaixo a carta na íntegra:

Rede Potiguar de Teatro

É tempo de fazer melhor

O Tempo não é de Crise. É Tempo de CRIAR
O Tempo não é de Mega Eventos. É Tempo de PROGRAMAR
O Tempo não é de Corrupção. É Tempo de COLABORAR
O Tempo não é de Parar. É Tempo de REPARAR

Queridos cidadãos e cidadãs natalenses,

Nós da Rede Potiguar de Teatro, neste ano de 2015, determinamos que o tempo deve estar a favor dos natalenses. Que o instante que nos move deve ser dedicado a ações para o tempo presente e para o futuro. Não é tempo de ficar remoendo o passado lembrando o que já tivemos. O tempo é feito para que possamos construir e não culpar ou lamentar.

Acreditamos que seria perda de tempo, valoroso tempo, convidar toda a população de Natal que, de alguma forma, gosta desta cidade e deseja tempos melhores, para abrir mão de um tempo e lamentar a escolha da gestão pública municipal em eleger um Festival de Música com artistas de outros estados e um Festival literário com ilustres intelectuais como sendo as únicas razões de promoção cultural do Natal em Natal, captado através de lei de incentivo junto à iniciativa privada.

Também acreditamos que seria perda de tempo culpar a gestão pública por ter gasto recursos públicos da ordem de R$ 6 milhões de reais na FIFA FAN FEST que, sabemos, foi aquilo que foi, né? (o que foi mesmo?). Não. Não vale a pena perdermos tempo com isso.

Ficar aqui dizendo que o Natal em Cena e o Natal em Natal, que tiveram nos últimos dois anos uma mobilização mais democrática, diversa e descentralizada (olha, 3D!) do que todos os outros 10 anos em que o Natal em Natal vinha acontecendo, e falar que as arenas para teatro, dança e música formadas, predominantemente por artistas potiguares, foram aprovadas pela população dos 4 cantos da cidade, seria gastar tempo falando o óbvio.

Não querendo que você perca seu tempo, esta carta é, na verdade, um pedido. Uma solicitação. Um apelo a você que, como dissemos lá no começo, gosta de Natal e se preocupa com ela. O pedido é simples: use uma pequena parte do seu precioso tempo para Reparar Natal, sim, você tem esse poder de: “parar de novo; prestar atenção; fazer melhor; consertar; corrigir; prevenir as consequências maléficas de;” e todos os demais significados que o dicionário nos oferece.

#ReparaNatal é o nosso desejo de fim de ano para essa cidade com nome tão festivo e solar. Utilize essa #hashtag para publicar em suas redes sociais uma forma de reparar descasos da gestão pública com a cultura da cidade. Por exemplo: imagine que você presencia um prédio histórico ser derrubado aí você quer denunciar e tira uma foto, posta no facebook ou instagram, escreve a sua opinião e no final coloca #ReparaNatal. Ou você viu que o gestor público aprovou um orçamento exorbitante para um megaevento que dura 3 dias e não deixa nem uma brisa de lembrança. Aí você posta sua frase de repúdio e no final #ReparaNatal.

Declare apoio a este movimento que quer que nossa Natal e o nosso Natal em Natal tenha realmente um espírito 3D (democrático, diverso e descentralizado) e que inicie uma nova tradição de continuidade das ações culturais, muito além do evento. Defendemos isso e acreditamos que você tem o interesse e o tempo para reparar isso.

Rede Potiguar de Teatro
em Natal, 14 de setembro de 2015.

FOTO: ELIAS MEDEIROS

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Wecsley Mariano 15 de Setembro de 2015 11:18

    Adorei a piada do dia: 3D democrático, diverso e descentralizado.
    Uma galera que mamou nas tetas da prefeitura o ano todo, que usou do tal democrático, diverso e descentralizado para inflar o seu ego e fingiu que os problemas eram mais além e agora quando o problema esbarra em seus interesses pessoais, vêm à tona agonizar. Faz um tempão que eu e mais uma meia duzia gritam pelo Sandowal Wandeley, pela Escola de Teatro Nereu de Souza e nós é que somos os problemáticos da cidade. Eu e mais alguns quando chamamos para gritar Pelaos Teatros Alberto Maranhão, TCP, Adjuto Dias e Lauro Monte Filho: Somos tratados com desdém por essa mesma Rede Potiguar de Teatro.
    Reconheço, porém, me oponho a tudo o que é de interesse deles. Acho que ele não são são a voz do Teatro Potiguar, agora, ele têm o poder de aglutinar mais. Boa Parte de seus integrantes fizeram parte do governo Micarla e só saíram de lá quando o mesmo estava falido e desgastado e pularam para as tetas de Carlos Eduardo, o mesmo encontra-se em ostracismo e equívocos, agora é a hora de abandonar mais uma vez de abandonar mais esse barco furado. Não defendo, nem nunca defendi a gestão municipal. Mas cansei de questionar exatamente os membros da “Rede” que lá estão (ou estavam, não sei) compondo essa gestão e criando meios de auto promoção, como os interesse pessoais não têm mais espaço, hora de repudiar, tripudiar e cuspir no prato onde sempre comeram. Mas agora que o prato azedou, quem vomita sou eu!!!!

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