Relendo “Moby Dick; or, The Whale”

O Romance Moby Dick é a obra prima do escritor estadunidense Herman Melville (1819-1891). O Livro é dedicado ao escritor Natahaniel Hawthorne, e sua “edição príncipe”é de 1851. Um livro profundo como o oceano. Em suas águas podem habitar seres misteriosos como o terrível cachalote de cor branca, Moby Dick. Um livro repleto de simbolismos que dá margem a muitas interpretações e leituras.

O branco também pode significar o terrível e o lúgubre da baleia assassina (“a brancura do cachalote”, cap. 42). Ahab luta insanamente contra o tremendo animal, assim como um outro manco – Dom Quixote, luta contra os moinhos de vento. Os motivos que levaram esses heróis a lutarem é uma pergunta que está na raiz que brota da nossa pequenez e mistérios que fazem a grande literatura.

A saga de caça à baleia é narrada pelo único sobrevivente da embarcação,
Ishmael. Uma descrição com intrincadas e bem urdidas descrições
realísticas do mundo dos cetáceos e seus barcos baleeiros. O mar e seus
mistérios que os “homens não entendem”, diz Camões na sua grande epopéia
Os Lusíadas. Ulisses também o navegou em busca da sua ilha afortunada. A
literatura marítima é vasta, e o Moby Dick é um livro eterno no vasto
oceano da relação do homem como mar e a natureza, que nesse caso deixa de
ser roussoniana para se tornar agressiva.

A História

A intrincada trama de Moby Dick descreve a pesca de uma baleia branca por
um capitão do mar (Ahab) oriundo de Nantucket. Ahab já perdeu uma perna, e
não desiste de continuar caçando o temível cachalote. Ele conduz a
tripulação do navio Pequod por águas baleeiras do pacífico. Marinheiros
são recrutados e será recompensado aquele que primeiro encontrar a baleia.
Starbuck, o piloto da embarcação, tenta dissuadir Ahab daquela aventura
insana. A embarcação também transporta um misterioso grupo de religiosos
“Parsis”, cujo líder Fedallah é um adivinho. Após semanas de caça, a
baleia é finalmente avistada e atacada com arpões. Dona de uma força
descomunal, a baleia destrói o navio e mata quase todos os tripulantes. Só
é salvo Ishmael que narra a trágica aventura do capitão Ahab. Ishmael
(auto-ego do autor-narrador) também descreve quase que um tratado sobre as
diversas espécies de baleias, tripulações baleeiras e coisas do mar que
fascinam e assustam o homem na sua eterna busca pelo desconhecido e
misterioso da vida.

Edições do Moby Dick

A primeira edição do Moby Dick foi publicada em 1851, em Nova York pela
editora Harper, e em Londres (3v) pela Bentley. Dois anos após, grande
parte dessa edição foi perdida com o incêndio da firma Harper and Brother.
Nova edição seria publicada em Chicago, 1930, com ilustrações de Rockwell
Kent. Tenho em mãos uma das mais belas edições desse grande clássico da
literatura, com ilustrações de Boardman Robinson e um precioso prefácio de
Clifton Fadiman. Edição que foi publicada inicialmente pelo “The Limited
Editions Club”; 1943, 1970. A edição brasileira mais conhecida é a
tradução do poeta Péricles Eugenio da Silva Ramos. Uma tradução publicada
na década de 70 do século passado, pela “Abril Cultural”, na coleção Os
Imortais da Literatura Universal. O Péricles também e um bom tradutor de
Byron, Keats e Shakespeare. Muito bem vindo a recente edição da Cosac
Naify, com tradução da Irene Hirsch e Alexandre Barbosa de Souza. O
glossário de termos náuticos enriquece essa bela edição de uma editora que
revolucionou o mercado editorial brasileiro nos últimos dez anos, com
edições de luxo e muito bem cuidadas.

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