Remanso da Piracema

Publicado no Papo Furado

“O poeta, dramaturgo e publicitário Jairo Lima teceu comentário a respeito do que considerou o seu destaque do ano entre os livros lidos: Remanso da Piracema (Editora Bakunin), de François Silvestre (foto). Embora o melhor livro na opinião do poeta, as críticas à obra vieram à proporção dos elogios. “Discordo e adoro esse livro. Como discordo da idéia de estado e igreja de Dostoievski ou do conceito de imortalidade da alma de Sócrates. Mas são autores que admiro. Talvez por isso o livro de François tenha sido o melhor”, iniciou.

Segundo Jairo, Remando da Piracema peca pelo maniqueísmo entre a elite demonizada e a maravilhosa plebe. “A falta de ética está presente em qualquer classe social: na puta ou no político. François erra já na primeira frase do livro quando diz: ‘Este livro não foi escrito para intelectuais insulares’. Ora, o livro foi escrito exatamente para eles. O povo que ele tanto enaltece despreza seu trabalho”. Outra falha apontada pelo poeta está nos textos “maravilhosamente bem escritos” por personagens simples, teoricamente incapazes de tal verve literária.

Apesar das críticas, Jairo reconhece no livro uma prosa poética de qualidade.”François não abusou da metáfora. É um livro extremamente equilibrado, bem escrito. O que vale na literatura é a forma. E esse foi o melhor livro dele. É de não se conseguir parar de ler, um texto gostoso, ritmado. A passagem de um cara que chega de bicicleta em Caicó é digna dos grandes escritores”. E conclui: “Não aprecio os ingredientes do livro, mas a sopa ficou maravilhosa”. (Entrevista dada por telefone a Sérgio Vilar)

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