República cultural (?)

Segunda quinzena de novembro, Dia da República. Viva (?). A cultura potiguar permanece feudo de políticos ou refém de uma burocracia “nunca vista na história desse país”. Para garantir a lisura na promoção de projetos culturais, o monstro burocrático conduz o processo há mais de 50 instâncias até a aprovação. Depois, outra novela para liberação da grana. A lembrar o Prêmio Núbia Lafayette ou os editais de incentivo cultural.

A quem culpar tal estagnação? O poder público surge como primeira e quase sempre única opção. Detém a parcela maior de culpa. A desorganização e desunião de alguns segmentos artísticos também contribuem. Em Estados vizinhos coletivos promovem projetos independentes. Ou, organizados, conseguem recursos públicos. Em Natown, sequer um protesto de artistas consegue aglomerar indignados. A classe teatral talvez seja a exceção.

A Lei Câmara Cascudo de incentivo à cultura permanece carente de reformulação. Cerca de 80% dos recursos são distribuídos a quatro ou cinco projetos culturais, geralmente de forte apelo midiático e de fácil retorno financeiro às empresas parceiras. De camarote ou nas ruas, artistas ainda esperam o Fundo Municipal de Cultura, já que o estadual sequer é discutido.

A seara mais degradada ainda é a de publicações. Nenhum livro. Apenas uma revista durante um ano. Isso mesmo após a reforma da gráfica Manibu, pela Fundação José Gugu. O turismo cultural prevaleceu e se lança sob perspectivas preocupantes em 2010. A política de editais salvou a pátria cultural da city; barrou a prática do balcão, do pedido de patrocínio à mesa de gabinete. Foi quando o feudo potiguar mais se aproximou de uma verdadeira república cultural.

* Texto publicado em minha coluna impressa no DN neste domingo

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