[RESENHA] “Redemoinho em dia quente”, de Jarid Arraes

Adoecido de Brasil, refugio-me nos livros e filmes, minha Pasárgada. Ligo para o amigo jornalista Woden Madruga e ele me dá notícias de “Redemoinho em dia quente”, da escritora Jarid Arraes.

Ele elogia o livro, vencedor dos prestigiosos prêmios da Biblioteca Nacional 2020, na categoria contos, e do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de Literatura 2019. Mando buscar e confirmo as impressões de Woden. Trata-se de um belo livro.

“Redemoinho em dia quente” reúne 30 contos, divididos em duas partes: “Sala das Candeias” (18) e “Espada no Coração” (12). Na obra, a autora escreve a partir da perspectiva de mulheres da região onde cresceu: o Cariri, no Ceará.

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As protagonistas femininas criadas por Arraes desafiam a representação tradicional dos personagens do sertão. O sertão mudou e com ele as histórias e a linguagem, como fica claro no conto “Moto de Mulher”, em que a protagonista é uma mototaxista.

“O riquíssimo vocabulário e a original maneira de ver e dizer as coisas dessa ‘sertaneja urbanizada’, uma vez lidos, tornam-se indispensáveis”, escreve a escritora Maria Valéria Rezende, na orelha.

Autora de livros como “As Lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis”, Jarid é conhecida por destacar mulheres em seus livros e cordéis. Todos os contos de “Redemoinho em dia quente” são protagonizados por mulheres e misturam realismo, fantasia, crítica social.

Por coincidência, havia lido dias antes, e comentei aqui, o livro de contos da potiguar Itamara Almeida, “Vizinhas – Pequenos contos de rosas e outros espinhos”. Vi proximidades, diálogo entre as duas obras e disse isso a Itamara. São duas novas vozes negras e potentes na literatura brasileira. Axé! 

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