Resistência e inclusão

Título original: Por uma sociedade da resistência e da inclusão – em defesa dos Carroceiros

Por Maria da Conceição de Almeida
Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Os carroceiros de Natal vão as ruas expressar publicamente suas reivindicações na Luta pelo Direito a Dignidade e Trabalho. Justa e louvável manifestação!

Uma sociedade que propala os valores do respeito a diversidade; que defende a inclusão como valor; que constrói áreas públicas para lazer; espaços destinados a ciclistas; rampas de acesso a cadeirantes; áreas para pedestres; espaços para cadeiras especiais nas salas de cinema e teatros; e tantos outros ganhos como sinalização nas calçadas e painéis em braile para portadores de dificuldades visuais, ainda tem débitos enormes com outras expressões da diversidade das formas de viver e trabalhar. É o caso dos carroceiros.

Uma das atividades que guarda quase intacta a longa história de nossas sociedades do passado, as carroças se mantêm até hoje porque tem muitas finalidades e se constituem em meio de trabalho para numerosas famílias em muitas cidades. Mossoró e Natal são, no Rio Grande do Norte, as duas mais importantes.

A que servem as carroças? Qual a contribuição do trabalho das famílias dos carroceiros?
Basta um olhar atento para as ruas das cidades em vários de seus bairros para vez carroças carregando resto de construção que se não fossem por elas demorariam talvez meses obstruindo calçadas e ruas. Na falta dos serviços para os quais o contribuinte paga imposto, são também os carroceiros quem fazem a triagem e recolhem materiais recicláveis. Quando não se dispõe de dinheiro para pagar uma mudança “classe A”, pelas grandes transportadoras, é ao carroceiro a quem se recorre para transportar duas camas, um fogão, um bujão de gás, um sofá e uma televisão para três ruas adiante num mesmo bairro. Sim, a maioria das famílias se mudam – mesmo que nem todas se mudem do bairro de Petropólis para um condomínio de alto luxo nas novas áreas da zona sul de Natal.

Às vezes é importante dizer o óbvio: as carroças muitas vezes prestam os serviços que os órgãos públicos deixam de prestar, por dever e obrigação !

Há problemas com a circulação das carroças nas ruas? Há reivindicações dos grupos em defesa dos animais? Que se trate desses problemas. Mas em defesa dos carroceiros e da manutenção desse trabalho que se converte em renda justa para numerosas famílias de carroceiros.

A exclusão é a pior e mais perversa das faces do que se chama de progresso.

Natal,29 de abril de 2015

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