RESISTÊNCIA: Produtora garante continuidade do Goiamum Audiovisual, apesar de desistências

Por Keila Sena
Idealizadora e produtora do Goiamum Audiovisual

O Festival Goiamum Audiovisual foi idealizado em 2007 para contribuir com o desenvolvimento do cenário do audiovisual do Rio Grande do Norte, através das entidades ZooN, Cineclube Natal, ITEC, ABD (gestão à época) e representantes dos realizadores independentes. Uma gestão coletiva deu corpo ao projeto, enriquecido com ideias e propostas por cada entidade e representação que atendiam a demandas diversas. O projeto criado tornou-se um sucesso desde a sua primeira edição. Com toda a nossa energia e esforço, fizemos acontecer na cena natalense uma ação voltada para o cinema que veio para atender uma lacuna percebida e reclamada pelos realizadores ávidos por receber um festival que fosse um canal para o diálogo e para a satisfação de algumas de suas necessidades.

Iniciamos então um processo de transformação positiva no audiovisual potiguar. As instituições citadas acima, com exceção do Cineclube e ZooN, se desligaram do festival já na sua segunda edição, por opção própria, por motivos particulares e também pelo fato de que realizar projetos culturais não é tarefa fácil, requer a dedicação de muito tempo, esforço, paixão e muitas vezes uma postura de resistência. Ao longo do tempo, o Festival Goiamum recebeu a colaboração de algumas instituições e pessoas. Algumas, posteriormente se desligaram, e outras permaneceram, agregaram-se. Esse sempre foi o movimento do festival: aberto aos colaboradores, a boas ideias, a novos formatos, a críticas, a contribuições externas para que, com isso, seguisse sua trilha de crescimento e de diálogo constante com seu público.

Estamos, no momento, encerrando mais um dos muitos ciclos da vida longa do Festival Goiamum. Os colegas e parceiros Henrique José e Nelson Marques, por motivos pessoais, por necessidades de suas vidas profissionais; com o agravante de um cenário político nada animador; decidem se desligar do projeto, como realizadores. Uma perda, é verdade; porém, uma decisão que deve ser respeitada.

No entanto, essa mudança não significa a descontinuidade do projeto!

O Festival Goiamum Audiovisual segue em movimento, fechando um ciclo, iniciando um novo, com abertura pra novos formatos, novas parcerias e nova gestão. O momento pede criatividade e persistência para mantermos vivo o festival de cinema comprovadamente mais importante no estado do Rio Grande do Norte, onde tantos realizadores se capacitaram, exibiram seus filmes, foram premiados e tiveram a oportunidade de trocar experiências neste ambiente que sempre busca a qualidade e reafirma sua sustentação no tripé firmado pela capacitação, exibição e diálogos sobre políticas públicas.

O Festival Goiamum permanece vivo! Muito vivo! Eu, Keila Sena, como idealizadora, diretora e produtora do festival me mantenho na equipe, na resistência, com toda a paixão que sempre tive por este projeto, para o qual trabalharei, como sempre venho fazendo ao longo de todos esses anos, com o objetivo de sempre: contribuir com o desenvolvimento do cinema potiguar.

Em breve o Festival se mostrará com novo formato, novas ideias, mentes oxigenadas e muita vontade de fazer acontecer. O momento pede a permanência do festival que tem história reconhecida pelo seu importante papel. Ajudamos a construir essa cena de hoje e precisamos continuar.

A direção do festival seguirá com Keila Sena e William Hinestrosa (Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo). Outros convites estão sendo feitos, como é o caso da ABDeC, com sua nova gestão, bem como outros coletivos e profissionais. Em breve teremos novidades e outras alegrias cinematográficas serão compartilhadas.

Henrique José e Nelson Marques, obrigada pela parceria que tivemos ao longo desses anos! Toda mudança sacode, faz crescer e gera o novo. Desejo a vocês boa sorte em suas novas jornadas. Eu sigo com o Goiamum na resistência, no amor pelo cinema e por tudo que construímos até aqui com esse lindo projeto!

FOTO: MAGNUS NASCIMENTO

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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