Resistência

Por Tácito Costa

Não à toa finalizei o meu último post usando a palavra resistência. Nos últimos dias, de recesso dos trabalhos, acessei mais vezes o Facebook, que segundo li de um especialista na Folha de São Paulo há poucos dias, está a caminho da obsolescência e em breve será substituído. Pode ser exagerada a previsão, mas o Orkut chegou a ser tão popular quanto o Facebook e hoje quem fala mais em Orkut?

Independente do que venha a ocorrer com o Facebook, as redes sociais chegaram pra ficar e dominar. Canibalizaram portais, sites e blogs. Não falo nem na mídia impressa, a situação pra essa é crítica faz tempo, espera tão somente a extrema-unção.

Foi por esses dias de férias que percebi a força das mídias sociais mais claramente. Nisso, teve papel decisivo o episódio recente em que um desembargador humilhou um garçom numa das padarias de Natal e um empresário saiu em defesa do funcionário. Os blogs ficaram em segundo plano na discussão, dominada pelas redes, e a cobertura dos jornais impressos não acrescentou nada que já não tivesse sido veiculado na internet.

Sim, com raras exceções, o debate no Facebook é claudicante, proliferam insultos, insensatez, narcisismo, divertimento, bobagens. Mas quem tá ligando pra isso? A timeline do Facebook lembra-me uma edição do Jornal Nacional, ocorreu-me agora essa comparação, cabe tudo ali, tragédia, humor, sentimentalismo, banalidade e alguma coisa séria. Afinal, ninguém é de ferro.

Tenho pra mim que a melhor estratégia é usar a ferramenta como diversão mesmo. Postar fotos, mensagens edificantes, contar piada, rever amigos e aqui e ali julgar sumariamente alguém ou algo. O humano mostrado em sua real dimensão, publicamente, como exige os novos tempos, sem freios ou pudores. Levantar certos assuntos, sobretudo se o tema for politizado, atrai toda sorte de fanático, aí vira um fla x flu, um PT x PSDB/DEM de conseqüências imprevisíveis.

Nesse novo contexto de dominação por parte das redes sociais, que ainda não atingiu seu ápice, o futuro dos blogs é incerto. Pelo menos no formato e concepção editorial vigentes. Não que eles corram riscos, pelo menos num futuro próximo de acabar, tornarem-se completamente obsoletos. Podem também virar cada vez mais meros caça-níqueis, não são poucos os que enveredaram por esse caminho.

Certamente alguns resistirão e seguirão travando o bom combate.

O perigo é virarem guetos, trincheiras altamente ideologizadas ou de iniciados, espaços de pouco ou nenhum debate. O que alguns já são, basta conferir certos endereços bastante conhecidos à direita e à esquerda.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Anchieta Rolim 4 de janeiro de 2014 9:09

    “…PREFIRO FALAR COM MEU VIZINHO, O JOÃO – QUE É PESSOALMENTE E COM APERTO DE MÃO…”

  2. Israel lima 3 de janeiro de 2014 17:50

    Muito pertinente esse seu comentário amigo Tácito,se as pessoas usa-se as redes sociais só para o bem seria de grande valia. mas penso que os jornais diários tão com seus dias contados.

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