Resposta a Alderico

Prezado Alderico:

Como vc não respondeu a meu comentário, considerarei que a mensagem sobre soldado gay não era ironia.

Pessoalmente, não vejo necessidade de ninguém declarar publicamente o que gosta de fazer na cama. Considero isso assunto de privacidade, falamos apenas para a pessoa que desejamos ter como parceira ou parceiro.

No caso específico do Congresso americano, parece-me que estão garantindo igualdade de direitos para homossexuais e heterossexuais: ninguém se admira que um rapaz, soldado, declare ser heterossexual, gostar de namorar moças, sentir tesão por elas e transar com elas; a partir daquela decisão do Congresso, é igualmente legal (no sentido de dentro da lei) um rapaz dizer as mesmas coisas em relação a outros rapazes, se esse for seu desejo.

Nã me sinto agredido quando alguém declara que gosta eroticamente de pessoas do mesmo sexo ou de pessoas do outro sexo. Considero isso um direito de cada um.

Vc fala que, daqui por diante, os “enrustidos” poderão “proclamar a sua fama”. Considero muito adequado o verbo “poder” – não serão obrigados a fazê-lo. Ao mesmo tempo, estarão declarando algo óbvio: que têm sexualidade. Vc localizou candidatos a declarações públicas desse tipo “no Congresso Nacional, nos departamentos públicos e até mesmo no Itamarati”. Com certeza, estão lá e em todo lugar: algum espaço da sociedade se manteve imune à presença de heterosexuais e homossexuais? Seu receio final foi que o Congresso venha a “aprovar lei que permita um homossexual ser um General”. Não conheço lei que o impeça. De qualquer maneira, no plano da lei, não há exigência sobre orientação sexual para atribuição daquele posto. Comentam que Alexandre, O Grande, era homossexual – o que considero absolutamente irrelevante.

Penso, Alderico, que a questão diz respeito apenas a direitos civis. Ninguém será obrigado a ser homossexual, como ninguém é obrigado a ser heterossexual.

Abraços:

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Tânia Costa 30 de maio de 2010 14:10

    “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é…”

  2. Nina Rizzi 30 de maio de 2010 11:31

    É preferível mesmo pensar que não se trata de ironia…

    Concordo com Marcos quando diz que a sexualidade do indivíduo só interessa a si e a seus pares, por outro lado, sabemos o quanto são discriminados, sobretudo nas forças armadas onde muitos já foram desintegrados por descobrirem sua orientação sexual.

    Logo, é importante que haja sim uma visibilidade homossexual, que todos saibam que podemos ser isso ou aquilo, sexualmente, mas que isso não interfere no caráter ou na capacidade profissional.

    Amemos, e deixemos amar também 😉

    beijos.

  3. Tácito Costa 30 de maio de 2010 10:02

    Assino embaixo do seu comentário. O SP condena com veemência a homofobia e quaisquer preconceitos contra as minorias. Lastimável o post de Alderico.

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