Retrospectivas de Welles e Truffaut e comentário sobre “O menino e o mundo”

Primeiro a boa notícia. Em primeira mão. Na próxima quarta-feira, 02 de março, o Sesc inicia uma mostra de Orson Welles. Abre com “A marca da maldade” e nos dias seguintes, menos no domingo, serão exibidos outros dez filmes do diretor norte-americano. Sempre às 19 horas no auditório da Cidade Alta. A seleção dos filmes será divulgada nesta sexta-feira, 26. Vamos ficar de olho porque não é todo dia que temos uma retrospectiva desse quilate por essas bandas não.

Ainda na área de cinema temos outra excelente notícia. De 31 de março a 06 de abril, o Cinepólis Natal Shopping exibirá uma retrospectiva do diretor francês François Truffaut. Confiram a programação:
• Os Incompreendidos (Les 400 coups, 1959)
• Atirem no Pianista (Tirez sur le pianiste, 1960)
• Jules e Jim – Uma Mulher Para Dois (Jules et Jim, 1962)
• Um Só Pecado (La peau douce, 1964)
• Beijos Proibidos (Baisers volés, 1968)
• A Noiva Estava de Preto (La mariée était en noir, 1968)
• Domicílio Conjugal (Domicile conjugal, 1970)
• O Amor em Fuga (L’amour en fuite, 1979)
• As Duas Inglesas e o Amor (Les deux Anglaises et le continent, 1971)
• O Último Metrô (Le dernier métro, 1980)
• De Repente Num Domingo (Vivement dimanche!, 1983)

Feitos esses dois importantes registros, comento rapidamente “O menino e o mundo”, do diretor Alê Abreu, que acabei de assistir no Sesc. O filme ganhou o Annie Awards na categoria melhor animação independente e concorre ao Oscar 2016 de melhor animação.

O filme conta a história, sem uma palavra, de um menino pobre que mora com o pai e a mãe em uma área rural. A vida transcorria feliz até o dia em que o pai parte para a cidade grande em busca de trabalho. Triste e abalado o menino pega o trem e vai descobrir o novo mundo em que seu pai mora. Para a sua surpresa, encontra uma sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas.

Um mundo que mais parece um pesadelo, com suas máquinas-bichos, a exploração dos trabalhadores, a falência das fábricas, favelas gigantes, os apelos consumistas por toda parte e o mais sinistro, uma parada militar, ostentando armas pesadas.

Algumas coisas encantaram-me nessa animação. A delicadeza dos desenhos, o garoto é desenhado com um rabisco simples. As cores vivas e múltiplas. Lembraram-me a arte de Pedro Pereira. A gritante desigualdade social e a vida duríssima dos trabalhadores. Nada diferente do que encontramos aqui mesmo em nosso país, em nossa cidade mal botamos os pés na rua.

Um belo filme, que faz pesada crítica social, mas sem perder a ternura, a delicadeza. Tomara que ganhe mesmo o Oscar. Merece.

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