Réu-ciclando

Carito
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“Quando o desespero silencioso se instala é como a ferrugem no ferro. Vai corroendo a armadura e também o ferro do espírito. Dentro e fora, sorrateiramente o desespero silencioso como um insólito ladrão de diamantes rouba-nos sem fazer alarde. Antes alarde do que nuca. A nuca dói, o brilho desaparece, há cada vez mais pedras no carinho. Desespero silencioso ladrão de brilhos atira a primeira Fedra na poesia com Creta. Tudo arde e o nada sem fertilidade germina sem diamantes e o dia mente, o bruto brota arrota dentro e flora – intestinal quietude devastadora, silêncio ensurdecedor nos ouvidos e nada cera, como antes. E ainda há sim o grito é tudo que nos réstia quando o rito é nada e há sombra contos de fadas e contos de fodas. No desespero silencioso, tudo no mudo é recorrente, o nada é recorrente. É a água, corrente, prisão, do amor rente, quase escapando. O desespero silencioso é um hóspede do barulho. Há que ter coragem para expulsá-lo pela sua própria fresta de aniversário. Ele gosta de se acomodar em lares bem acomodados, bem incomodados, e de repente já completa idade, e esconde aonde se vende termômetros que medem a acomodação e a mediocridade. Onde se compra marcadores da ambição sem adição de açúcar? A vida é doze? Ou só uma? Como discernir entre o fusca e a busca, por algo mais? Qual o nosso papel reciclável? O papel corre o risco de ser linha na fogueira, o ponto final pode ser um ponto sinal, o sonho pode escapar por entre os medos. Encontrar um culpado? Encontrar um cupido? Um cupido culpado com barco e fenda afunda por lares nunca dantes navegados. A dança é densa, é preciso o impreciso, não esperar pela esperança, pois o velho ditado sempre alcança o novo deitado. Não esperar sentado, não esperar sentido, chamar a chama, da esperança enquanto é templo, na joelhada tem que rezar, acender e ascender, o só nasce para todos, juntos ou só pirados, então melhor entrar no coito que no oito, não perder o onde da história, procurar por onde bate mais corações que portas, linhas tortas, adeus, escreveu? Ficar alto… ajuda? O sol pode surgir numa tempestade de idéias… O réu pode esperar?”

Essa é minha resenha para o filme “Foi apenas um sonho”.

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