Rever

(Para Telma e Cosma)

porque natal não mais
a cidade é toda alta
vazia em quem nem passa
ou sim
nada que se reinventa
centrada periferia
petrópolis fast-food
camelódromo tirol
cinema ad vento
intestino ré final
memória desencontro

saudade do que não foi

sem saída

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Ednar Andrade 22 de março de 2012 21:40

    🙂 Verdade,amigo.

    Beijos*

    Rs…

  2. Marcos Silva 22 de março de 2012 19:37

    Ednar:

    Mesmo distantes, somos constantes
    (Joujou e Balangandns)

  3. Ednar Andrade 22 de março de 2012 14:05

    Saudades,de rever-te Marcos.

    Beijos!!!!!

    🙂

  4. Marcos Silva 21 de março de 2012 19:04

    Obrigado pelas reminiscências carinhosas, Jarbas. Lembro daquele tempo com carinho. Radicalismos foram necessários. Hoje, entendo que o mundo requer outras atitudes, embora sempre respeite muito a coragem dos que ousam. Moacy é uma referência permanente, além de amigo querido.

  5. Jarbas Martins 21 de março de 2012 16:11

    Marcos Silva é um velho poeta, conhecido meu, desde os anos 60. Ele ainda morava aqui, antes de se mandar pra São Paulo, quando, em um festival, cantou a música “Os Relógios” – letra sua, não sei se teve participação na música.Parece-me que era uma parceria.O primeiro a me chamar a atenção da letra de Marcos Silva foi Moacy Cirne, que já se encontrava no Rio.Falou-me sobre a letra de Marcos, com muito entusiasmo, chamando a atenção para o que, no jargão literário da época, chamava-se “materialidade” e coisas afins.As cartas que eu enviei, em nossa breve correspondência, encontram-se em suas mãos. Hoje, ao conversar com ele, prometeu devolver-me esse pequeno tesouro (para mim), onde eu expunha meus conceitos juvenis sobre tudo.Do socialismo cristão à luta armada, em linguagem cifrada claro.Moacy era o crítico a quem eu mais ouvia, apesar de nossas divergências estéticas, políticas e filosóficas – que ainda hoje continuam. Sem que, entre nós, nunca houvesse um arranhão ferindo nossa amizade, que começou ainda na adolescência. Salve, Marcos Silva, velho guerreiro e poeta !

  6. Marcos Silva 21 de março de 2012 13:33

    Lívio:

    Obrigado pelo sensível comentário.
    Foi um Rio Grande do Norte que passou em minha vida.
    Ou, para retomar o paralelo rever/river, A Northern Grand River (meu inglês é de cais – ou caos, para os desafetos -, estudei essa língua, pela última vez, nos anos 70)..

  7. Lívio Oliveira 21 de março de 2012 11:23

    O poema de Marcossilva me agrada pela concisão formal (às vezes, excessiva no encontro-casamento de palavras sem ponte, sem elo, restando apenas o que se subentende da amálgama), mas, ao final, há clareza de sentido e precisão vocabular. E força imaginativa.

    Agrada-me, também, pelo título, que joga com a palavra “rever”, no sentido da reminiscência, do reencontro com as origens, mas – talvez – também no sentido de um rio (de cara, lembra o vocábulo inglês “river”) que passa e marca, que firma algo perene e ao mesmo tempo passageiro. E do que está à sua margem, entorno.

    “Foi um rio que passou em minha vida…”.: O poema de Marcossilva traduz a desilusão com esse passado tão presente.

    Um poema de qualidade, portanto.

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